Poucas reflexões sobre o mal…

Marisa e neto

“Desde que alberguemos uma única vez o mal, este não volta a dar-se ao trabalho de pedir que lhe concedamos a nossa confiança”
(Franz Kafka)

Percebi que ando meio angustiado, mas essa angústia não se materializa em depressão. Na verdade, ela é filosófica e existencial. A angústia vem da sensibilidade que tenho para ver, perceber e sentir. E esse mundo, essas relações, esse ódio e essa toxicidade dos dias atuais estão me causando isso. A bestialidade tomou conta de tudo. O pensar sucumbiu. A alteridade foi assassinada. O humanismo vem sendo apunhalado. Tudo isso vem acontecendo em decorrência de pautas ideológicas rasteiras e primitivas. Mais do que selvagens, nós, humanos, estamos nos tornando abomináveis. Consequentemente, o ódio e o mal tendem a prevalecer. Desejar o pior para o que difere de nós está sendo a regra. Em essência, o mal, de fato, está prevalecendo. Numa sociedade, permeada pelos ditos “homens de bem”, a maldade dá as cartas. Mas, homens bons podem ser maus? Passei, infelizmente, a acreditar que somos, em tese, maus e que, às vezes, temos lampejos de bondade. Ou seja, a bondade não é a regra. Alguns poucos são mais iluminados e carregam constantemente, dentro do coração, a alteridade e a caridade, contudo a grande maioria é a mesma coisa – humanos à espreita para liberar a própria maldade. É assim que está sendo os dias de hoje. Talvez, sempre tenha sido assim, porém, de alguma forma, eu buscava negar e contemporizar. Quem sabe isso permitia que eu vivesse sem ter essas angústias que descrevi. Todavia, agora, não tenho mais como negar a realidade. Não aceito ficar dentro dessa Matrix. O que é, será. Assim, será! Meus sentidos estão aguçados e, sem paranoia, tento abafar qualquer mal que tenda a brotar de mim e começo a perceber o mal naqueles que me rodeiam. Só tem um jeito de se proteger desse mal – propagar o bem. Incorporar ativamente o amor, a alteridade, o humanismo e a caridade. Tudo de forma discreta, visto que, aquele que faz isso, sob a luminosidade de holofotes, não o faz por que quer, mas sim pela vaidade e pela necessidade de aparecer. Enfim, a maldade está presente. Ela está espalhada. Ela está ao seu lado. Ela está nas pessoas que você considerava. Ela está em ti. Ela está em mim…

Régis Eric Maia Barros