A verdadeira riqueza

pobreza de espírito

Não é raro encontrar pessoas que só sossegam quando alcançam uma estrutura financeira e patrimonial robusta. Não quero aqui desconsiderá-las nem, muito menos, sinalizar que essa busca incessante é um pecado. Pelo contrário, se você pensa assim, caminhe no seu propósito. Contudo, por ter uma mania filosófica de provocar, eu questiono: Quais são e onde estão as nossas verdadeiras riquezas?

Estariam elas nos bolsos das nossas calças ou nas contas bancárias? Estariam elas nos imóveis que, por ventura, você tenha? Estariam elas nas suas aplicações, caso você as possuam? Onde encontrar a verdadeira riqueza? Nos seus carros, nas suas roupas de grife ou nas suas viagens ou nos jantares dos bons restaurantes ou…?

Isso não é riqueza. Tudo isso é volátil e fácil de desfazer. Isso não é real nem verdadeiro. Faço aqui uma descontração baseada em Nietzsche. Portanto, nada disso existe nem tem valor. Se você idealiza os conteúdos materiais da vida, entenda que você não tem absolutamente nada. Se você pensa diferente, a vida poderá provar o contrário. Essas materialidades podem escorrer pelo ralo e, também, afastar você do verdadeiro tesouro, caso tudo isso tome conta da sua vida e do seu viver.

A verdadeira riqueza encontra-se no afeto e no carinho que são preenchidos pela paixão e pelo amor. O olhar puro e sincero dos seus filhos comprova isso. A proteção e a cumplicidade, ofertada por aqueles que nós amamos, ratificam essa certeza. O beijo da mãe, o afago do pai, a confiança nos amigos e as alegrias que os nossos filhos nos ofertam valem infinitamente mais. Quem já experimentou essas riquezas compreende que elas, sim, são os nossos patrimônios os quais não oscilam com as crises de mercado ou por crash nas bolsas de valores. Essa riqueza é constante, gradativa e virtuosa.

Essa é a maior riqueza do homem. Pena que a valorizamos cada vez menos. O mercado e o show business empurram outras coisas. Daí, encontramos pobres muito ricos, pois conservam as verdadeiras riquezas. Mas, infelizmente, há legiões de pessoas que se percebem ricas, porém são miseráveis e de uma pobreza digna de pesar. A verdadeira riqueza da nossa espécie não reluz no ouro e na prata nem se enrola em liga tais quais as cédulas de dinheiro. Levante-se e olhe para o seu pai e a sua mãe. Caminhe até o quarto e veja seus filhos que, angelicalmente, estão dormindo. Perceba sua esposa. Hipertrofie seu olhar nisso.

Aí, está a riqueza…

Régis Eric Maia Barros