Fotos da infância

Eu criança

Não há quem não goste de ver suas próprias fotos da infância. Todos adoram essa vivência. Ficamos absortos na busca de lembrar daquela cena registrada na imagem. Às vezes, nós lembramos e, quando isso ocorre, viajamos no tempo e nos projetamos novamente naquela situação. Via de regra, estávamos com o sorriso estampado no rosto e mostrávamos a pureza da nossa essência. Se repararmos nas nossas fotos de crianças, os nossos olhos eram vivos e vívidos. Não demonstrávamos interesses outros nem nos organizávamos para o perverso. Quando crianças, nós nos organizávamos com outras crianças, somente, para molecar e brincar. Ao olhar nossas fotos, temos é saudade de nós mesmos. Percebemos como éramos e o que nos tornamos. Entendemos que o lúdico deixou de ser o mote para dar espaço ao funcionamento competitivo. As fotos da infância comprovam nosso endurecimento enquanto adultos. Essas fotos não remetem somente saudades, mas também dão a certeza de uma época melhor. Claro que muitos que me lêem agora poderão dizer que a sua infância foi triste por vários motivos, todavia, nessa mesma infância difícil, os sonhos, mesmo assim, eram mais atraentes. Na infância, sonhávamos com a possibilidade de voar sem asas e correr a esmo. Sonhávamos em ser heróis e, também, podíamos ser vilões, visto que, na infância, a maldade não existia sendo apenas um componente lúdico. Éramos mais humanos. Aceitávamos o outro independente de como ele era. Não importava se ele era gordo ou magro, rico ou pobre e branco ou preto. Simplesmente, aceitávamos! Enfim, o real motivo de nos deliciarmos com as nossas fotos de crianças acontece pela possibilidade de nos percebermos melhores. Bem melhores do que somos nos dias de hoje. Nós nos admiramos nessas fotos, pois comprovamos que perdemos muito do que era bom em nós mesmos. As fotos da infância, portanto, nunca são velhas. Elas são tão brilhantes que não envelhecem nunca.

(*)Uma foto quando eu tinha 4-5 anos de idade.

Régis Eric Maia Barros