Eu estou na contramão…

De fato, eu estou no sentido oposto ao que a coletividade atual define como o “certo” e o “melhor”. Assim, eu estou me vendo. No entanto, apesar disso, sinto-me leve, pois prefiro, infinitamente, esse sentido que escolhi. Tenho um olhar filosófico de respeito às liberdades e, portanto, de limitação das violências. Alguns poderiam me repreender dizendo que a liberdade em excesso pode promover a violência. Talvez, sim! Mas, prefiro essa liberdade a conviver com essa violência estabelecida pela rigidez, controle e domínio. Depois de uma longa história repressiva e de ataque às liberdades, eu, lamentavelmente, venho percebendo que a sociedade…

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Quando as luzes se apagarem…

Quando o último sopro de vida tiver perto de acontecer, eu olharei para mim e questionar-me-ei sobre o meu viver. Nesse existir, eu terei uma certeza: não passarei por aqui “só de passagem”. Na verdade, ninguém deveria passar em branco pela vida. Nenhuma pessoa deveria desperdiçar as inúmeras oportunidades que ela nos oferece. No entanto, nada cai do céu ou brota, espontaneamente, no seu jardim. É preciso se movimentar e correr atrás. É preciso fazer valer e ser protagonista da própria história. Ao final dessa jornada de vida, eu desejo que todos nós possamos relembrá-la com a certeza de que…

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Um simples haloperidol…

  Há pouco fiz uma perícia de obrigação de fazer com uma solicitação de internação compulsória. Na verdade, uma demanda pericial simples, visto que, o periciando estava completamente psicótico e tinha o juízo crítico de realidade totalmente prejudicado. Ele estava se colocando em situações de riscos pela importante heteroagressividade que apresentava. Portanto, a indicação pericial da internação compulsória estava acolhida e foi deferida.   Seria um caso simples e sem reflexões maiores se eu não tivesse me atentado para o real problema submerso na situação. O periciando acima entrou em crise e desorganizou a sua vida e a sua família…

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Uma Mariana no Bataclan e um Bataclan em Mariana

  O mundo vem chorando em decorrência da dor gerada por nós, humanos do século XXI. Diante da agonia da morte e da tirania, o que nos restou foi a possibilidade de chorar e tentar rezar, pois, assim, poderíamos aliviar o latejar da realidade.   Costumo dizer que a realidade não permite negociações. Por um tempo, nós podemos negá-la. Em alguns momentos, nós podemos escondê-la. Contudo, não tem jeito, visto que, quando ela se impõe, nada pode ser feito. A realidade é uma só: a cegueira pelo lucro e a insanidade do extremismo matam. Sempre foi assim e, infelizmente, isso…

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E o nosso desejo de ser Fabíola?

Não estarei aqui defendendo a traição nem tentando estimulá-la. Bem resumidamente, o trair é um produto da desorganização na relação amorosa ou no comportamento do traidor. A traição sempre deixará marcas nos protagonistas dessa história (traído, traidor e amante). Não passará em vão. Marcará para sempre nem que seja no funcionamento inconsciente de todos. Contudo, há diferenças sociais quando se descobre uma traição de um homem ou de uma mulher? A verdade é crua e nua. Recentemente, um vídeo, que viralizou pelas mídias sociais, é a prova disso. Uma mulher filmada no motel pelo esposo traído. Misturado à angústia e…

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Nota zero para a NOTA da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP)

Nota zero para a NOTA da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) Brasília 15 de dezembro de 2015 Senhores Diretores da ABP, Com tristeza, decepção e surpresa, eu li a nota de esclarecimento, emitida ontem pela ABP, que fazia referência à nomeação do atual Coordenador de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas do Ministério da Saúde. Novamente, merece destaque que os senhores arbitram para si uma fala que nunca é dividida com a coletividade – os associados. Os senhores não respeitam a lógica democrática tão atacada nos tempos atuais. Em nenhum momento, os senhores se dirigiram a nós (psiquiatras brasileiros) para…

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O meu tempo…

Os segundos correm, os minutos voam, as horas evaporam e os dias acabam. Por isso, eu me habituei a respeitar, sem ressalvas, o meu tempo. Não há espaço para o vazio na minha vida. Luto para bloquear tudo aquilo que não me soma. Afasto-me daqueles que me cansam e que não agregam. Na minha vida, não há possibilidades para superficialidades e trocas, meramente, materiais. A minha temporalidade e o meu existir são alimentados pelos meus sonhos, desejos e projetos. Sempre deixo de lado o supérfluo. Aqui, ou seja, em mim, não povoa sentimentos mesquinhos e todos, que se atreverem trazê-los…

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O que estamos fazendo com o Natal?

Recentemente, tive o prazer de ler, por mais uma vez, o Monólogo de Natal* do poeta Aldemar Paiva. A sensibilidade desse poeta foi fabulosa e teve a capacidade de deixar subtendido que o Natal, infelizmente, não é uma festa de todos e para todos. Por mais que nesses dois dias (24/12 e 25/12) brote um ímpeto de humanismo na coletividade, esses dois dias passam e afirmo que eles passam rapidamente. Depois da data festiva, a engrenagem volta ao “normal” com uma normalidade anormal. Embora confuso, será fácil de compreender. Findando a ceia farta, a troca dos presentes e as guloseimas,…

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Um passo atrás na saúde mental brasileira  

Quando imaginamos que a evolução e o acompanhar da lógica terapêutica é um ponto basilar da medicina, eis que somos tomados de surpresa com a nomeação do novo Coordenador Nacional de Saúde Mental. Definitivamente, um retrocesso. O coordenador nomeado foi um dos severos críticos à Reforma da Assistência Psiquiátrica no Brasil e, também, exerceu a função de Diretor Técnico da Casa de Saúde Dr. Eiras de Paracambi (maior hospital psiquiátrico privado da América Latina). O referido hospital de características manicomiais sofreu várias denúncias de violações de direitos humanos nos pacientes internados.   Quem entrou num manicômio não é capaz de…

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A (não) defesa do Hospital Psiquiátrico Tradicional

  Começo esse artigo com uma reflexão: onde gostaríamos que nossos pais ou nossos filhos fossem internados, caso tivessem alguma alteração de comportamento? Após a Reforma da Assistência Psiquiátrica, surge um conceito – hospital psiquiátrico humanizado – que está sendo utilizado de forma repetida nas discussões sobre a matéria.   Entendo que esse conceito se propõe, inicialmente, a diferenciar um hospital não manicomial (“humanizado”) de outro manicomial (desumano e eugênico). Até que concordo, em parte, com essa diferenciação, mas minha concordância deixa de existir a partir do momento que o vocábulo “humanizado” é utilizado equivocadamente. Aquilo que é humanizado e…

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