A quem pagar indenização?

  A dicotomia louca da sociedade brasileira, novamente, vem à tona com o massacre no presídio de Manaus. A análise se deu de forma reducionista como é de costume. A pergunta que agitou os últimos dias era a respeito da legitimidade de indenização às famílias dos presidiários mortos.   O Estado deveria pagar às famílias que foram vítimas dos atos dos presidiários ou às famílias dos presos massacrados e degolados? Para mim, a análise deveria ser mais ampla e menos tosca. O Estado brasileiro, praticamente, inexiste quando falamos de violência e situação prisional.   Esse Estado é ausente na proteção…

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A verdadeira proximidade

  Quem convive ao lado nem sempre está próximo. Não é incomum que aquele (s) que divide (m) espaços comuns aos seus não esteja (m) envolvido (s) com as suas demandas. Na verdade, estar próximo é se mostrar disponível e presente sempre que for necessário. Se você agir assim, você está próximo, mesmo que viva a quilômetros de distância. Estar próximo é compartilhar afetos, sejam eles bons ou não. Estar próximo é torcer e acolher. Estar próximo é permitir. Estar próximo é te aceitar independente do que você pensa, seja ou deseja. Estar próximo é sonhar junto contigo. Estar próximo…

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Ainda há esperança…

    Em meio ao meu niilismo frente à atual frente conservadora e tirana desse mundo louco, tive um sopro de esperança. Ao assistir o discurso da fantástica Meryl Streep na premiação do Globo de Ouro 2017, percebi que não estou só. Na verdade, nunca estive. Quem sabe somos muitos. Melhor, eu tenho a certeza de que somos! Não sei se somos a maioria, mas somos muitos, sim.   Então, se você tiver a curiosidade de assistir o link abaixo com o discurso dela, perceberás que o que ela diz pode ser reproduzido em várias realidades. Um mundo em que…

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E se Diógenes visitasse o nosso Congresso Nacional?

Dentre as leituras sobre a filosofia clássica, é importante ressaltar os cínicos. Eles incorporaram uma necessidade de afastamento das regras e pudores construídos pela sociedade.   Um dos seus representantes – Diógenes – merece destaque pelo seu jeito peculiar de viver sem luxo e de residir numa espécie de barril em plena via pública. Ele, portanto, abdicava de tudo que a riqueza poderia ofertar para buscar uma vida livre e de virtude. Há relatos históricos de que Diógenes andava durante o dia, pelas vias públicas, com uma espécie de lamparina acesa. Ao ser questionado, ele se referia que “procurava um homem…

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Eu e a minha mania de sonhar

    Não me canso de sonhar. Acho até que é uma teimosia minha, porém não tenho interesse em mudar. Ao sonhar, sinto-me vivo. Com os sonhos, factíveis ou viajantes, tenho a certeza de que vale a pena continuar. Os sonhos seriam uma forma de autocomunicação de mim para mim mesmo sobre a vida. Uma espécie de chamamento. Tipo assim: “… Régis, a vida é fabulosa! Mergulhe nela e aproveite”. O sonho eleva-me à verdade, afastando-me da mentira. E ressalto que aprendi a viver, verdadeiramente, longe das mentiras. Quando sonho, degusto a possibilidade de me motivar a querer. Querer sempre…

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O sentimento saudade

Saudade é um sentimento que, ao mesmo tempo, ensurdece, enrijece e, caso se agrave, enlouquece. Todos nós já sentimos e, portanto, temos a dimensão do seu poder. Costumo dizer que a saudade machuca pela dor que causa e pela sensação de impotência que lhe acompanha. Ela é uma espécie de navalha que, ao cortar, causa um desconforto latejante. Assim, eu acredito que seja a saudade. E dentro desse meu pensar, eu fui chamado a refletir mais sobre essa temática. Eis que há pouco, ao colocar o meu Leozinho para dormir, fui provocado com a seguinte pergunta dele: “papai, tem algum…

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Por que acreditar em Papai Noel?

Depois de ler, por diversas vezes, o Monólogo de Natal de Aldemar Paiva(*), eu fique filosofando sobre o “bom velhinho” e as suas significações. Portanto, ao pensar sobre o Papai Noel, eu me perguntei: quem és tu? O que seria você? O porquê de você “existir”? O que você representaria de fato? A sua lembrança acontece no Natal. Uma data simbólica de nascimento e recomeço. Um período que invoca reflexões e demanda uma oferta de bondade. Ele, um velhinho bondoso, que distribui presente e enche as pessoas de alegria. Na maioria das vezes, a sua função é ofertar esperança e…

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Presídios e a guerra às drogas

Certa vez, eu, psiquiatra-perito de um Tribunal Federal, realizei uma perícia psiquiátrica numa instituição prisional. Essa vivência permitiu que eu confirmasse aquilo que já suspeitava – ninguém é ressocializado naquele ambiente. Um amontoado de pessoas em condições de total abandono. Um odor pútrido que incomodava constantemente. Espaços superlotados impedindo a deambulação. Imagine para dormir! Alguns poderão dizer que não se deve propor luxo para essa clientela em face dos crimes cometidos por ela. Mas, quem disse que estou falando de luxo? Estou descrevendo dignidade a qual seria fundamental para a recuperação de quaisquer pessoas desviantes. Essa dignidade só seria alcançada…

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Presídios – os calabouços brasileiros

  Dias atrás, eu escrevi sobre os presídios e tentava refletir sobre o porquê de alguns países estarem fechando os seus presídios e o Brasil está sem vagas para presidiários. Eis que, poucos dias depois, surge a manchete de um massacre de presos num presídio em Manaus/AM. Diante disso, novas reflexões precisam vir à tona.   Entendo que todos nós estamos amedrontados com a violência crescente. Compreendo que não temos mais segurança e a que nos apegar. Todos nós, sejamos progressistas ou ultraconservadores, vivemos assim. Talvez, o que vai nos diferenciar é a forma como analisaremos esse fardo.   Para…

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Um mundo intolerante

As cartas do mundo são essas: Intolerância e ódio. Elas são as bolas da vez. A não aceitação do diferente surgindo com roupagem de atos perversos. Atos que vão desde um desrespeito contra aqueles que pensam diferente e que até alcançam, por vezes, agressões e extermínios. O ódio como moeda relacional. Esse é o mote. Concordo com o filósofo francês André Glucksmann e, por isso, cito, aqui, sua reflexão: “o ódio julga sem ouvir, condena a seu bel-prazer, é arbitrário e poderoso”. Ele sempre existiu. Isso é fato. Ele sempre esteve presente na nossa raça, porém por que ele cresce…

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