E se Diógenes visitasse o nosso Congresso Nacional?

lanterna de diógenes

Dentre as leituras sobre a filosofia clássica, é importante ressaltar os cínicos. Eles incorporaram uma necessidade de afastamento das regras e pudores construídos pela sociedade.   Um dos seus representantes – Diógenes – merece destaque pelo seu jeito peculiar de viver sem luxo e de residir numa espécie de barril em plena via pública. Ele, portanto, abdicava de tudo que a riqueza poderia ofertar para buscar uma vida livre e de virtude. Há relatos históricos de que Diógenes andava durante o dia, pelas vias públicas, com uma espécie de lamparina acesa. Ao ser questionado, ele se referia que “procurava um homem honesto”. Como ele repetia aquele ritual, podemos inferir que ele não o havia encontrado. É possível que essa procura fosse, de fato, árdua, visto que, ao conhecer o ser humano, ele duvidava da associação honestidade-homem. Agora, imaginem a seguinte reflexão: Diógenes com sua lanterna andando pelos salões nobres,              corredores e plenárias da Câmara dos Deputados e do Congresso Nacional. Ele iluminando aquela escuridão metafórica daquele lugar sombrio à procura de um parlamentar honesto. Será que ele se decepcionaria ou encontraria um homem honesto? O momento atual é tão tenebroso que até Diógenes com seu desprendimento peculiar se angustiaria com o nosso Congresso Nacional. São tempos nebulosos e aquele lugar está preenchido pelo que é mais escuro em termos de falta de ética. Nem potentes jatos com luzes poderosas seriam capazes de iluminá-lo. Ainda sangraremos muito. A realidade é assustadora a ponto de causar um desacreditar, inclusive, perigoso sobre a classe política. Enfim, segue a vida e a tese de Diógenes sobre a honestidade se replica no nosso legislativo.

 

Régis Eric Maia Barros