O choro do Léo

Quando a Bélgica fez o segundo gol, eu percebi que as lágrimas começaram a saltar dos olhos do meu Leozinho. Ele estava muito empolgado com a copa. Essa foi a primeira que o motivou, pois, aos sete anos, ele já torcia e vibrava. Sabia o nome de todos os jogadores e já estava com o álbum da copa preenchido. Seu choro demonstrava um misto de decepção, frustração e consciência de que a jornada de virada seria difícil. Na sua inocência, ele percebeu que o time da Bélgica não tinha nada de bobo. Eis que eu o abracei forte e acolhi…

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Mr. Potter…

Meu Leozinho descobriu um grande prazer em acompanhar a saga de Harry Potter. Em poucos dias, nós já assistimos quase todos os episódios. Ele vivenciou a jornada de Harry desde a infância até a adolescência e início da vida adulta. Com sua cabeça pura de criança, ele compreendeu, do seu jeito, a solidão de Harry pela perda dos pais, mas também percebeu como a vida pode ser reinventada com muita magia e sonho. Os amigos de Harry, seus professores, os animais, os bruxos, as magias e a Escola de Hogwarts fascinam qualquer um e com o Leozinho não foi diferente.…

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A angústia rasga, a angústia congela

Um paciente, dias atrás, replicou essa fala numa consulta. Fiquei pensando sobre a profundidade dessa descrição. Atender pessoas gravemente angustiadas é bem diferente de estar ferozmente angustiado. Sentir em si é algo infinitamente maior do que ver no outro. Por isso, valorizo muito as falas, explicações, reflexões e conclusões dos meus pacientes. Eles sempre estão certos na descrição dos sentimentos que envolvem seus infortúnios. Cabe-nos perceber, entender e trabalhar mudanças. Esse paciente teve uma longa e sofrida jornada em face de uma doída angústia. Hoje, já sem ela, ele tentou falar a respeito. Ele me disse que a angústia, sobretudo…

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Uma paciente doce

Viver é esplêndido a despeito da enorme habilidade da vida em nos machucar. A nossa jornada é repleta de revés e obstáculos. É comum que eles nos batam e, por vozes, eles nos batem com muita força. A vida, sem dúvidas, põe nossa resiliência em constante avaliação e, ao sermos testados, vamos seguindo e dando os nossos pulos. Na última semana, atendi uma jovem com uma história muito dolorosa. Perdas físicas e emocionais recorrentes num pequeno espaço de tempo. Algo difícil, inclusive, de entender. Nessas horas, dentro da minha cabeça, construo um foco - a necessidade de dar uma nova…

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Uma triste realidade da medicina

O acontecimento recente, divulgado maciçamente na imprensa, em que um médico se divulgou como especialista, em praticamente tudo, e acabou por ser envolvido na morte de uma paciente, não é algo tão incomum. Pasmem! Muitos cursos, com supostas especializações médicas, que ocorrem nos finais de semana existem por aí. Todos da área de saúde sabem disso. Nós, médicos, e as entidades médicas têm o discernimento da existência deles. Muitos desses cursos nem são reconhecidos pelo MEC e outros até são. No entanto, mesmo que alguns cursos sejam validados pelos órgãos competentes, fica a dúvida maior: aqueles médicos, que fazem esses…

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Não morremos, nunca morremos…

Eis que o Leozinho, junto de nós, assistiu ao último episódio da saga de Harry Potter. Episódio esse que, diga-se de passagem, é de tirar o fôlego. Numa parte dele, os entes amados de Harry, mortos na saga, aparecem para ele. Noutra parte dele, Harry foi considerado morto e seus amigos, por mais que o pulsar do coração tenha parado, não deixaram Harry morrer. Em ambos os momentos, a mesma mensagem sobre vida/morte surgiu. Não morremos! Nunca morremos nem, tão pouco, aqueles que nós amamos. Morte é deixar de existir, mas isso nunca ocorrerá quando o amor, também, mantiver sua…

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Cumplicidade, a prova do vínculo

Escuto tantas histórias. Na jornada de psiquiatra e terapeuta, eu escuto de tudo. Acredito, inclusive, que eu seja um dos poucos ou, quem sabe, um dos únicos que sabem de algumas intimidades dos meus pacientes. Na verdade, o tratamento psiquiátrico e psicoterápico, quando bem realizados, fortalece e desnuda. Ao ser desnudado, expomos nossas questões, fragilidades, desejos e frustrações. Consequentemente, a partir disso, podemos trabalhar nossas angústias a fim de evoluir e crescer. Resumidamente, esse é o meu papel – aliviar, tratar e lutar para que os pacientes evoluam. Entendo que um paciente, ao compartilhar comigo, de forma cúmplice, as suas…

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Olhando para o outro…

Olhar para o outro é nobre. Quem tem a possibilidade de perceber e aprender com o outro, certamente, poderá ser maior a cada encontro. Inevitavelmente, ao ser psiquiatra e perito, eu encontro com o outro. Na verdade, posso até fazer uma estimativa para me tornar mais claro. Se atendo, diariamente, em torno de 10 pessoas (tem dia que são mais), na semana, eu terei atendido por volta de 50 pessoas. Ao final de um mês, entre casos novos e atendimentos de retorno, terei tido uns 200 encontros. Se você usar da matemática, perceberá que, ao ano, serão pelo menos uns…

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A vida bate

Quem disse que a vida é fácil? Viver é caminhar numa estrada de obstáculos. Claro que, no percurso, muita beleza se evidencia. Claro que, ao viver, nos expomos as mais diversas forças. Por vezes, sorrimos. Outras vezes, choramos. Sorrisos e choros estão presentes do começo ao fim. A despeito das pancadas provocadas pela vida, viver é algo sublime. Precisamos dar o exato valor as coisas. Não banalizá-las nem exacerbá-las. Ou seja, há de se valorizar aquilo que, de fato, tenha valor e não dar importância as questiúnculas que tomam nosso tempo. E se muitas situações negativas acontecerem nas nossas vidas?…

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E o ódio, o que fazer com ele?

Esse foi um questionamento realizado por um paciente meu que é portador de uma doença psicótica e que faz tratamento comigo há alguns anos. Para quem não sabe, aquele que carrega consigo uma psicose carrega também muita sensibilidade e uma capacidade própria de ver o mundo, as coisas e as relações. Eles sentem intensamente tudo que ocorre ao seu redor e possuem uma característica interessante nesse mundo dominado pelos “normais” – eles, os psicóticos, falam o que sentem e o que percebem, portanto não se escondem nessa racionalidade mentirosa que usamos no cotidiano. Ele, percebendo o clima que assola o…

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