A angústia rasga, a angústia congela

Um paciente, dias atrás, replicou essa fala numa consulta. Fiquei pensando sobre a profundidade dessa descrição. Atender pessoas gravemente angustiadas é bem diferente de estar ferozmente angustiado. Sentir em si é algo infinitamente maior do que ver no outro. Por isso, valorizo muito as falas, explicações, reflexões e conclusões dos meus pacientes. Eles sempre estão certos na descrição dos sentimentos que envolvem seus infortúnios. Cabe-nos perceber, entender e trabalhar mudanças. Esse paciente teve uma longa e sofrida jornada em face de uma doída angústia. Hoje, já sem ela, ele tentou falar a respeito. Ele me disse que a angústia, sobretudo se intensa e constante, é capaz de bloquear o corpo e a mente. A angústia é capaz de paralisar e de impedir você seguir. Ela é uma espécie de desesperança catalisada pela impotência. Ela é tirana. Ela é insana. Ela é cruel e perversa. Ela sufoca. Ela confunde e aparta. Ela não respeita e invade. Ao tomar de conta, ela vai esfarelando os afetos. No entanto, ele ressaltou que toda angústia pode ser dissipada. Por mais que ela seja surreal e potente, haverá meios de atacá-la. Ele, por exemplo, citou a sua estremecida angústia de outrora a qual foi debelada recentemente. Assim, ele me pediu: “doutor escreva algum texto onde essa minha reflexão apareça. Eu preciso falar para todos que estão angustiados. A angústia terá um fim e a vida voltará a pulsar”. Ele sempre me agradece por ter permanecido com ele durante toda essa linha histórica da sua angústia. Ela ficou para o pretérito. E, aqui, eu estou terminando o pequeno artigo que ele me pediu…

Régis Eric Maia Barros