E depois de tudo?

Passaremos por isso. Não tenho dúvidas. Também, não tenho dúvidas de que será doído e penoso. Mas, como dito, passaremos. Venceremos! E depois de tudo? Como ficaremos? O que o COVID-19 nos deixará de herança? Perguntas muito difíceis para que tenhamos uma resposta simples e objetiva. Os filósofos existencialistas costumavam dizer que, na dor, o ser humano encontraria a sua autenticidade e que essa mesma dor permitiria entender a essência da própria humanidade. Em outras palavras – a dor pode nos empoderar numa evolução de si mesmo. De fato, após atravessar jornadas dolorosas, costumamos nos transformar em pessoas bem maiores…

0 comentário

Separar o joio do trigo

Uma situação como essa, em que estamos vivendo com o COVID-19, traz revelações. Muitos se agigantam, mas outros se apequenam. As atitudes, ações e posturas levam a isso. E não são somente os políticos e os homens públicos que entram nessa ciranda. Os homens e as mulheres comuns também. Ou seremos grandiosos ou seremos minúsculos. As nossas capacidades de solidariedade, alteridade, caridade e olhar coletivo nos colocarão no local em que realmente devíamos estar. Agora, separa-se o joio do trigo. Nesse cenário caótico e açoitado pelo medo coletivo, evidenciam-se os altruístas e desnudam-se os egoístas. Perceberemos, claramente, aquele que pensa…

0 comentário

O tempo…

Ele urge! O tempo é uma dimensão dual. Ele, por vezes, alivia dores, mas, outras vezes, as alimenta também. Quando olhamos para a nossa finitude, o tempo não joga no nosso time. Se não estivermos machucados pela amargura suicida ou numa posição de terminalidade paliativa, o tempo, que concretiza a finitude, sempre nos incomoda. Então, o que devemos fazer? Simplesmente, tentar viver. Todo dia é para ser vivido. Aproveitar o nosso tempo o qual não sabemos dizer quanto será. Quantas vezes nos esquivamos de se jogar para a vida? Tememos a morte, mas abdicamos da vida. Isso pode ter um…

0 comentário

Quanta dor…

Já escrevi outras vezes, noutros textos, que, de tanto me envolver com a dor emocional, passei a aprender conviver com ela. A práxis em psiquiatria é assim: lidar e lutar contra a dor e o sofrimento emocional que machuca as pessoas. E como a dor é inevitável, temos, na psiquiatria, que encará-la diariamente. Esse é o meu cotidiano. No entanto, eu confesso que nunca vi tanta dor emocional. Atuo na psiquiatria há aproximadamente 20 anos e repito que nunca vi tanto sofrimento emocional. Há tanta dor que ela passou a não ser individual, mas sim coletiva e compartilhada. O futuro…

0 comentário

AmarElo

Estimado Emicida, Meu nome é Régis Barros. Sou médico psiquiatra e venho, por meio desta, parabenizá-lo pelo documentário musical AmarElo. Entendo que uma das principais dores emocionais que um humano pode passar é ter a sensação de que não existe, é ter a percepção de que não é visto, é ter a compreensão de que não é escutado e é ter a certeza de que, historicamente, foi excluído e colocado de lado na sociedade. Isso é muito doloroso. Para tal, o único tratamento possível é ofertar voz a essas pessoas. Ou seja, fazê-los perceber presentes nesse mundo fagocitário. Fazê-los lutar…

0 comentário

A arte sempre se mantém viva

Hoje, tinha tudo para ser um dia de trabalho como os outros. Mas, na minha atividade pericial no serviço público, fui surpreendido com um presente. A última perícia do dia me reservou uma bela e grata surpresa. Era um caso simples. Daqueles que não necessitavam de perícia, sobretudo num período de pandemia. Os documentos médicos, os autos processuais e a apresentação da pericianda falavam por si só. Estávamos diante de uma Demência de Alzheimer em estágio avançado. Logo, a cognição era bem comprometida. Ela mantinha uma motricidade mais limitada e apresentava um importante comprometimento de todas as funções cognitivas. Ela…

0 comentário