Um vazio ético

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Vivemos numa crise ética e moral. A contemporaneidade expressa essa realidade. Claro que sempre existiram aqueles que não entendem e não compartilham os valores morais estabelecidos por uma sociedade. Enfim, quais são os conjuntos de valores que regem essa sociedade que vivemos? Será que temos isso estabelecido? Embora vivamos em um modelo de ética não monolítica, é possível encontrar um vazio cada vez maior de princípios éticos guiadores das decisões morais. Seria uma espécie de vazio ético. A reflexão de Jacqueline Russ (apub BARTEL, p. 17) é capaz de nos fazer refletir sobre.

Assim, ela destaca:

“Vivemos num momento em que as referências tradicionais desapareceram, em que não sabemos mais exatamente quais podem ser os fundamentos possíveis de uma teoria ética. O que é que, hoje, nos permite dizer que uma lei é justa? Nós o ignoramos. É num vazio absoluto que a ética contemporânea se cria, nesse lugar onde se apagaram as bases habituais, ontológicas, metafísicas, religiosas da ética pura ou aplicada. A crise dos fundamentos que caracteriza todo o nosso universo contemporâneo, crise visível na ciência, na filosofia ou mesmo no direito, afeta também o universo ético. Os próprios fundamentos da ética e da moral desapareceram. No momento em que as ações do homem se revelam grávidas de perigos e riscos diversos, estamos mergulhados nesse niilismo, essa relação com o ‘nada’, da qual Nietzsche foi, no século passado, o profeta e o clínico sem igual. O que significa niilismo? Precisamente que todas as referências ou normas da obrigação se dissipam, que os valores superiores se depreciam. O niilismo designa o fenômeno espiritual ligado à morte de Deus e dos ideais suprassensíveis. É nele que se origina a crise atual da ética.”

A sociedade e seus integrantes vêm aniquilando os valores e levando-os ao “nada”. Essa destruição e a negação dos ataques aos valores morais trarão problemas difíceis de quantificar, visto que, cada vez mais a sociedade contemporânea constrói problemas éticos. Desse modo, as situações morais precisam, urgentemente, de análise e cuidado. Mesmo com a sua racionalidade, o ser humano, desprovido de freios éticos, poderá agir de forma perigosa, sobretudo se seus atos foram conduzidos sem o devido crivo ético para os comportamentos morais. Esse vazio poderá ser preenchido por conseqüências que, ainda, não podemos dimensionar. Eis que surgem alguns questionamentos básicos.

Aonde chegaremos? Do que poderemos ser capazes?

Confesso que não teria essa resposta detalhada, todavia, observando o mundo em que vivemos e os atos que encaminhamos, posso afirmar que somos capazes de praticamente tudo. Atrevo-me a afirmar que o vazio ético poderá ser o promotor do caos e do fim da humanidade, visto que, ao atuarmos sem ética e com valores morais perigosos, teremos uma série de atitudes destrutivas do homem para si, para os outros, para sua espécie e para as demais espécies.

Régis Eric Maia Barros