Um conselho ao jovem médico

humanidade

Se eu pudesse dar um único conselho para quem aspira ser médico, eu falaria de humanidade. Por mais que eu tivesse a possibilidade de discorrer sobre o conhecimento básico e clínico da medicina, eu não faria. Não que eu não valorize esses importantes conteúdos da prática médica. Muito pelo contrário, eu os saúdo. No entanto, se devo dar um único conselho, eu o farei noutro caminho.

A ti jovem médico, eu proponho que se humanize cada vez mais. Que você entenda uma coisa – a medicina só existe, em essência, se ela for humanizada. Sem isso, não há médico. Se você terminar o curso de medicina sem ter incorporado dentro de si o princípio da humanidade, você não será médico. Simplesmente, será um técnico preso a algoritmos, guidelines, protocolos e esquemas terapêuticos. Por mais que eles sejam fundamentais, eles não te farão médico.

É na humanidade que a nossa atividade alcança o sentido. Um médico humanizado é muito mais potente. Um médico humanizado é muito mais terapêutico. Um médico humanizado é muito mais humano e carrega em si uma humanidade capaz de expressar alteridade, carinho e cuidado. É disso que o doente necessita. É por isso que a medicina existe. Ela demanda disso. A ausência disso faz com que qualquer tratamento seja pobre. A ausência da humanidade na prática médica a enfraquece e acabará por destruí-la.

Então, você, que pretende ser médico, aprenda a gostar de pessoas e aceite esse conselho: alimente-se de humanidade e seja uma pessoa humanizada.

Régis Eric Maia Barros