“Ser belo” é diferente de “querer ser belo”

belo e bondade

Existem pessoas que forçam a barra e que artificializam as coisas. Alguns são “belos” de maneira autóctone com beleza in natura. Essa beleza não é de representação estética, mas sim interna e filosófica. Tal beleza é capaz de transformar esse ser “belo” numa referência natural para os outros, visto que a sua beleza é admirada por todos sem arbitrariedade.  Eis a grande diferença do ser “belo” real e do ser “belo” fake. Os princípios humanos daquele que realmente é “belo” são explicitados para o mundo de forma espontânea e para isso não precisa de maquiagem ou outro correlato. A beleza das atitudes aparece nas entrelinhas, pois quem é “belo” não constrói publicidade em cima do agir bondoso. Podemos, então, fazer uma reflexão – algumas atitudes definidas falsamente como “boas” e “belas” são movimentos em busca de um “belo” artificial e interesseiro, sobretudo se propósitos vaidosos e oportunistas regem a atuação do comportamento. Aos olhos de bons observadores, a feiura descabida é percebida naqueles que forçam uma beleza inexistente. Neste ser não “belo” há a materialização de um querer – o de ser bom, sem, na verdade, ser. Uma conveniência motivada por puro auto-investimento emocional ou material.

E assim a sociedade caminha com seus “messias” e propagadores da falsa beleza. Um mundo repleto de seres feios com virtudes empobrecidas e que pagam uma de “belos” representantes da pureza e da bondade. Nesse contexto, precisa-se registrar uma observação de suma importância – para que a beleza humana exista, será necessário o verdadeiro significado dos fatos, ou seja, o porquê ético das nossas escolhas. A liberdade para escolher responsabiliza o nosso agir. Desse modo, podemos escolher em ser e não ser “belo”. Ao escolher o não ser, muitos de nós acaba por criar uma gambiarra forçosa – a tentativa de demonstrar que somos “belos”.  A real beleza do ser deve acontecer sem que ocorra um autobenefício ou um legislar em causa própria. Isso sim separa o joio do trigo e mostra quem é “belo” em essência e expõe, também, aquele que quer ser “belo” por conveniência.

A real beleza não permite “blush” ou outros cosméticos. Então, aquele que simula ou mimetiza beleza para lucrar com isso nunca poderá ser considerado “belo”. Infelizmente, isso é tão comum e engana em demasia. Por vezes, encontramos pessoas idealizando outras por não terem atinado que o “ídolo” é um embusteiro aproveitador. O ser “belo” não faz escambo de atitudes. Ele, simplesmente, entende que o mundo precisa dele e que ele nunca estará acima dos outros e do próprio mundo. Ele investe em si um desejo de contribuição para o mundo onde o correto e o decente são nortes a serem seguidos. Ele compreende que não há beleza se somente ele ou poucos tiverem paz, seja ela emocional, social, financeira e existencial.

O ser “belo” não costuma registrar sua beleza a qual é quase sinônimo de bondade humanística. A engrenagem do mundo tem incontáveis peças diferentes dele. Isso é um princípio para valorizar o ser “belo” em essência. Sei que esse mundo é carente de representantes “belos” e, por isso, gosto de valorizá-los ao extremo até por que, como filosofado por Santo Agostinho, “a beleza é realmente um bom dom de Deus; mas que os bons não pensem que ela é um grande bem, pois Deus a distribui mesmo para os maus”. Portanto, em tese, somos seres realmente “belos” ou “falsos belos”. A escolha é nossa.

Régis Eric Maia Barros