Saudades do meu Ceará…

Saudades do meu Ceará…

Há exatamente 15 anos eu parti de lá. Eu fui buscar oportunidades. Corri atrás da possibilidade de ter uma formação médica diferenciada. Eu caminhei em direção de um sonho. Quando andamos desse jeito, acabamos por deixar muita coisa para trás. Infelizmente, por força do destino, deixamos mais distantes muitos amigos, vários afetos, os amados familiares, o querido sotaque e o nosso jeito cearense de ser. Mesmo existindo grandes distâncias espaciais, tudo e todos são carregados e ficam bem guardados no nosso coração. Por causa disso, as belas e boas lembranças brotam e isso traz muita paz e conforto. Por outro lado, a saudade, que é constante no nosso sentir, é muito habilidosa em nos deixar tristes e chorosos. Nessa jornada, acabamos, logicamente, por construir novos laços afetivos com a possibilidade rica de ter outros amigos não cearenses. Isso é ótimo! Apesar disso, nós, cearenses que vivemos fora do Ceará, sentimos imensamente a falta do passado. A música, as conversas, o humor cearense e o afeto fraternal daquela gente não podem ser vivenciados na nossa rotina forasteira. Resta-nos, bem distantes, admirar esse jeito cearense que mescla alegria, força e carinho. Ao admirá-lo, nós o recordamos vivencialmente e temos a certeza de que ele continua fazendo parte de nós. Esse funcionar “alencarino” está incrustado no nosso DNA e na nossa forma de funcionar nesse mundo de meu Deus. Hoje, eu me senti saudoso e estimulado a escrever sobre essa saudade. Lembrei-me da praia e do povo. Vivenciei, na minha memória, muita coisa, desde o colégio até a faculdade. Recordei-me dos forrós e do interior. Um filme rebobinado com diversas histórias ora felizes, ora tristes. São essas histórias que determinaram o que eu sou nos dias de hoje. Eu, orgulhosamente, sou cearense. E, de fato, “eu sou a nata do lixo, sou do luxo da aldeia e sou do Ceará”.

Régis Eric Maia Barros