Ó Europa!
Apelidada de Velho Continente
O berço do saber
Nascituro do conhecer
Política, ciência e filosofia
Brotaram de ti
Liberdades e direitos
Essências em si
Foi você que mostrou
Daí, partiram naus
Missões colonizadoras
Amedrontadoras
Avassaladoras
África, Américas e Ásia
Sentiram sua gana
Histórica exploração
Expropriando cada nação
Diante disso, pergunto-te
Para que serviu seu conhecer?
O domínio para embrutecer
Criar exclusões
Excludentes do viver
Assim, foi…
O mais triste é que continua sendo
Fronteiras fechadas
Polícia armada
Guarda Costeira atiçada
Marinha montada
Proteção de guerra arquitetada
Seriam bandidos?
Uma proteção contra inimigos
Não!
São refugiados
Aniquilados
Pela guerra
Pela fome
Pela perseguição
Ó Europa!
Mostre algo
Responda-me
Não a nado
Não fazes nada
Por que eles estão morrendo?
Humano não tem cor
Humano não tem credo
Humano não tem diferença
Ó humano!
O que estais fazendo com os humanos?
Os botes estão tombando
Seus irmãos, humanos, se afogando
E você aí a decidir
Se suas fronteiras podem se abrir
Abra seu coração
Liberte sua ingratidão
Foram eles! Os refugiados
Que os levaram a esse patamar
De nação rica e desenvolvida
Olhem as crianças
Deitadas na praia
Mortas e sozinhas
Qual o remédio para essa ferida
Nunca fechará
Jamais curará
Culpados?
De que adianta culpar
Morreram
E em meio ao desespero
O mundo tem outro olhar
As fronteiras estabelecem-se
A maldade enaltece
O inferno é aqui
O demônio está ali
Sentando ao seu lado
Talvez, dentro de ti
Na praia
Naquele dia
O homem mostrou
Evidenciou
O que ele é capaz
Régis Eric Maia Barros
