Quem tem dor tem pressa

medicina dor

Quando a dor física ou emocional lateja, aquele que padece dela corre na busca do seu alívio. Nesse caminho, o acesso ao seu profissional de saúde (médico ou terapeuta) é fundamental para aliviar essa dor. A escuta e o acolhimento, promovida pela acessibilidade e disponibilidade do profissional, constituem um diferencial capaz de ofertar segurança e bem estar. De que adianta ser cuidado pelo “mais famoso” ou “mais renomado” se ele não é acessível nem alcançável? Para que serve um profissional com o Lattes de várias páginas se, na hora da agonia, ele não pode receber as solicitações de socorro? Entendo que a arte da medicina é composta, invariavelmente, pelo conhecimento médico em si e por uma gama de aprendizados e posturas que transcendem a própria medicina. Dentre as funções fundamentais do médico, elenco, como uma das principais, a possibilidade de estar próximo do seu paciente e de permitir que ele se aproxime do próprio médico. Claro que respeitando os limites éticos e a coerência dessa aproximação. A díade médico-paciente, quando bem estabelecida, gera um corpo único com um objetivo que extrapola a saúde. Assim, a meu ver, deveria ser. Todavia, cada vez mais vem deixando de ser. E quando isso ocorre, a dor, muitas vezes, não é sanada, o sofrimento cresce, a sensação de proteção diminui, o tratamento passa a não ter resultado, o médico perde a sua função e a medicina vai ficando desacreditada. Talvez, essa reflexão traga um questionamento a ser pensado e debatido: por que muitos médicos estão distantes e se distanciando dos seus pacientes?

Régis Eric Maia Barros