Quem és tu…?

Quem és tu

Essa foi a pergunta da Lagarta à Alice. A nossa identidade é algo importante, mas que pode nos incomodar. Às vezes, as pessoas e nem nós mesmos sabemos o que somos. Por vezes, as pessoas nos julgam pela nossa imagem e não pelo que nós somos de verdade. Outras vezes, nós, também, queremos ser essa imagem e escondemos o que somos ou o que queríamos ser.

De fato, é confuso, mas a confusão é algo comum nas incertezas das nossas identidades. Ser o que se quer ser é nobre e promissor, todavia pode ser também custoso. Ao ser o que queremos ser, precisamos nos expor e nos defender, visto que, os outros e a sociedade querem, a todo custo, que sejamos o que eles julgam ser melhor e mais cômodo. É assim mesmo! Vivemos um fake cruel e uma matrix constante. Dentro de nós ou no escuro, onde os olhares não nos notam, somos eventualmente nós mesmos. Admiro aqueles que são o que realmente são e fico pensando como é doloroso não ser o que poderia e desejaria ser. Infelizmente, talvez, a maioria de nós não é.

Percebam a sutiliza dessa análise feita por Lewis Carroll em Alice no País das Maravilhas. Nele, a lagarta deseja saber quem é Alice. A lagarta se irrita por ela não saber e até interpreto que a lagarta se incomoda por Alice não querer saber. Se a lagarta estivesse te perguntando agora “quem és tu…?”, qual seria a sua resposta?

– Quem és tu?
Não se pode dizer que fosse um princípio de conversa encorajador. Alice respondeu timidamente:
-Neste momento, nem sei bem, minha senhora… Esta manhã, quando me levantei, sabia quem era, mas já mudei tantas vezes desde então.
-O que queres dizer com isso? – perguntou a Lagarta com rispidez. – Explica-te!
Receio não poder explicar-me melhor, minha senhora, porque eu não sou eu, percebe? – disse Alice.
– Não estou a perceber – respondeu a Lagarta.
– Lamento não conseguir explicar-me melhor – disse Alice com muita delicadeza – mas, para começar, nem eu própria compreendo. E ser de vários tamanhos no mesmo dia é muito confuso.
– Não acho – respondeu a Lagarta.
– Bem, Talvez não tenha dado por isso – disse Alice – mas quando se transformar numa crisálida, o que irá acontecer num dia destes, e depois numa borboleta, creio que se sentirá um pouco esquisita, não acha?
– Não, não acho – respondeu a Lagarta.
– Bem, talvez os seus sentimentos sejam diferentes. O que eu sei dizer-lhe é que eu me sinto esquisita – disse Alice.
– Tu? – exclamou a Lagarta com desprezo – mas quem és tu?

Usando dessa bela reflexão filosófica de Lewis Carroll, perguntemos a nós mesmos:
Sabemos quem somos?
Você é, realmente, você?
Se somos o que somos, por que você é assim?
Se não é o que deseja, o que te prende a ser o que você deseja ser?

Enfim, a vida é curta para mentiras. A vida é breve para imagens construídas. A vida é tênue para não ser o que deveríamos e queríamos ser.

Régis Eric Maia Barros