Qual produto está fazendo mais falta?

etica
Em meio à crise de abastecimento, nós nos preocupamos, sobretudo, com a falta de gasolina e dos alimentos. Também, ficamos apavorados e com receio de faltar os insumos básicos para a segurança e a saúde. Ao final, todos são prejudicados. Todos recebem as consequências diretas. Os prejuízos são incontáveis. Uma tristeza e uma lamentação. E o mais angustiante é saber que demorará dias para retornar ao equilíbrio e, talvez, nem tenha mais esse equilíbrio.

Diante de tudo, pensei qual seria o produto que mais fez e faz falta na atualidade brasileira. A resposta é simples e objetiva: ÉTICA. Tudo o que está acontecendo provém disso, ou seja, do nosso empobrecimento ético enquanto povo e nação. Antes de faltar os insumos, produtos e serviços básicos, vem faltando ética. Ela, que é tão fundamental e estruturante na história de um povo e país, já está minguando por aqui há tempos.

Seria tão fácil se somente uma pessoa ou um pequeno grupo respondesse pelo descalabro nosso. Mas, infelizmente, todos nós somos criadores e criaturas do caos. Como bem dito por Freud, “qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?”. Queixamos a falta de ética nas esferas superiores, mas, inoportunamente, muitos que reclamam, também, cometem os seus deslizes éticos. Um funcionamento social de “se dá bem” e de “dá um jeitinho”. De forma escondida, muitos escorregam e replicam a lógica pouco ética das esferas superiores. Por isso, Niklas Luhmann questionava: “Por que o indivíduo seria honesto no escuro?”. A resposta é: por que ele tem dentro de si conceitos éticos arraigados. Então, pergunto-vos: se ninguém olhasse nossos atos, nós atuaríamos do mesmo jeito de quando estamos vigiados? Ou seja, o certo e o errado são produtos da sua construção ética ou, simplesmente, você é freado pelo medo de repreensão? O resultado disso poderá refletir, por exemplo, na crise atual da qual todos nós reclamamos.

Nas filas dos postos de combustíveis, havia pessoas, aproveitando o caos, vendendo água mineral a R$ 10. Havia postos com combustível que, ao se aproveitar da escassez, vendiam o litro de gasolina a quase R$ 10. Havia pessoas furando a fila e por aí vai. Como dito coloquialmente, “o buraco é mais embaixo”. Esse momento sofrido representa a nossa histórica pobreza ética e, lamentavelmente, isso está incrustado em nós, povo brasileiro. Portanto, na falta de ética, todo o resto será supérfluo. Ou mudamos ou sucumbiremos. Cabe-nos escolher.

Régis Eric Maia Barros