Qual a melhor arma contra a criminalidade?

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O fenômeno da insegurança nos afronta a ponto de nos deixar impotentes. O medo consequente dessa insegurança cria uma necessidade de autoproteção. Por isso, O Rappa cantou “as grades do condomínio são para trazer proteção, mas também trazem a dúvida se é você que está nessa prisão”. Cada vez mais, somos reféns da insegurança e da nossa busca pessoal por segurança.
 
Por isso, é natural que a população analise como justa defesa a possibilidade de portar armas. Se o Estado não é capaz de me proteger, protejo-me por conta própria. Eu entendo esse pensamento, todavia eu questiono se isso garante uma real proteção e segurança?
 
Qualquer sociedade sem capital educacional e social sofre desse flagelo. O que esperar do Brasil? Aqui, acontece a inimaginável lógica de se aplicar mais recursos no sistema prisional do que no sistema educacional. Claro que isso iria acontecer! O abandono não passa despercebido na vida de nenhum ser humano. Isso é óbvio e não precisa ser psicanalista catedrático para entender essa relação. Aquela criança sem proteção familiar, social e estatal tem tudo para caminhar por onde os atrativos são mais sedutores. Portanto, o caminho da criminalidade absorve muitas desses jovens desprotegidos.
 
Não tem jeito. Os presídios estão superlotados. Não há disponibilidade de vagas. Celas que caberiam 30 detentos são preenchidas com 150 detentos. É impossível recuperar e ressocializar nessas condições. Muitos que estão presos sairão e continuarão criminosos. Muitos outros novos criminosos serão presos e entrarão nesse mesmo sistema prisional. Consequentemente, a bola de neve cresce e a violência tenderá a aumentar.
 
Armas não serão capazes de nos proteger. Certamente, elas serão ineficientes. A cada bandido morto, teremos vários novos bandidos iniciando seus crimes. O caminho não é somente usar da repressão e do direito de talião em que o “olho por olho e dente por dente” dão as cartas. Quisera eu que essa solução reducionista funcionasse. Seria mais fácil.
 
Se não protegermos socialmente e se não houver um olhar educacional digno, a violência crescerá a níveis tão alarmantes que a vida social se tornará inviável. Por isso, cito Derek Bok, que pontuou o custo social do abandono da seguinte forma: “se você acha que a educação é cara, tenha a coragem de experimentar a ignorância”.
 
Régis Eric Maia Barros