Posturas governamentais neocolonizadoras

decreto temer

A história nos mostra como os colonizadores adentraram em suas ditas colônias. Eles sugaram tudo que podiam sugar e não hesitaram em destruir o modelo de vida local e os próprios nativos. O mundo moderno e a ordem econômica traziam como necessidade o lucro. Isso era o que importava. Portanto, a gana passava por cima de quaisquer obstáculos.

No Brasil, isso não foi diferente. O que se tinha de bom e lucrativo era retirado e partia dentro das naus portuguesas ou de invasores audaciosos. O índio, no meio de tudo isso, foi escravizado, violentado e desculturalizado. Suas terras foram tomadas, suas riquezas retiradas e sua paz roubada. Pouco importava saber se eles viviam aqui antes de tudo, visto que a lógica do poderoso, dominando o mais fraco, novamente se repetiria na linha histórica.

Para frear a dinâmica de agressividade contra o índio, foram necessárias normatizações constitucionais a fim de impedir que a própria sociedade brasileira o ameaçasse ainda mais. Mesmo com leis positivadas, a população indígena continua sendo dizimada na sua integridade e nos seus direitos.

Todo governo e governante deveriam ter o mínimo de respeito ao índio. Contudo, somos surpreendidos com um Decreto do Presidente Michel Temer extinguindo uma área de reserva ambiental a fim de liberá-la à mineração. O próprio Governo Federal e o Presidente da República atuando para destruir mais. Certamente, isso não aconteceu à toa. É bem possível que grupos apoiadores do referido governo estejam por detrás disso. A atual conjuntura nacional comprova isso, ou seja: eu te beneficio e você me apóia.

E nisso, vamos afundando. Vamos perdendo o respeito. Acabamos por nos prostituir em face da cegueira que, infelizmente, é voluntária. As sangrias vão sendo estancadas, os direitos do povo sendo retirados e, agora, o índio sendo ameaçado por decreto governamental. Tudo é tão surreal que é custoso de acreditar. Pouco importará se a mata será destruída, se o meio ambiente será degradado, se os rios serão contaminados e se índio será, novamente, violentado. O que importa mesmo são os acordos que sempre são feitos na calada da noite com interesses dissociais.

Reeditamos um novo período colonial, porém, dessa vez, o colonizador não é representado por nações outras, mas sim pelo próprio Governo Federal. Infelizmente, o próprio governo joga para outro time e não para a nação brasileira. Com dito por Renato Russo, “vamos faturar um milhão quando vendermos todas as almas dos nossos índios num leilão”.

Régis Eric Maia Barros