Passei a não temer a angústia…

Eu não temo a angústia

A angústia sempre incomoda, visto que ela maltrata e consegue, via de regra, ultrapassar as nossas defesas. Todos nós já a sentimos. É possível que muitos estejam, nesse momento, sentindo. Ela vem e toma conta do pensar e do sentir. Ela é chata…

Em face disso, o temor de tê-la está sempre presente em todos. Procuramos nos esquivar dela de todas as formas. Infelizmente, na minha prática de psiquiatra, isso é impossível. Convivo com a angústia diariamente. Ela me flerta com constância. Eu a conheço sem igual. Ela se apresenta para mim através do desespero, do choro, da tristeza, da lágrima, do suspiro e da voz embargada. Meus pacientes sabem disso, pois a angústia é assim. Ela é sorrateira e intensa. Ela é sacana e capaz de desestabilizar.

Dentro dessa minha rotina, eu sou testemunha ocular do quanto ela é desorganizadora na vida dos outros. De tanto vê-la, eu acostumei encará-la. Já não a temo. Talvez, sejam “anticorpos” psicológicos que surgiram em mim. Mas, o fato é um só: procuro atacá-la à altura da sua potência.

E como ela é potente e poderosa!

Por vezes, após encontrá-la recorrentemente no meu cotidiano, eu me sinto cansado, exausto e algo desorganizado, mas termino a jornada em paz. Uma paz interna difícil até de descrever com palavras. Provavelmente, essa paz é alimentada pela felicidade de fazer aquilo que eu gosto. Essa paz vem com a certeza de que a medicina é isso – uma busca constante de fazer o bem e, somente, o bem. Essa paz cresce com o agradecimento daqueles que melhoraram.

Confrontar com a angústia é uma função, por que não dizer, missionária. É por aí mesmo! Não interpretem esse vocábulo “missionário” de forma equivocada, pois a minha intenção é afirmar que a minha missão é de guerrear contra a angústia. E numa guerra, repleta de batalhas, ora perdemos, ora ganhamos. Independente do que acontecerá, cabe não temer e sempre lutar…

Régis Eric Maia Barros