Para onde você vai?

Petrarca

Às vezes, creio que navegamos numa nau sem rumo. Tocamos a vida sem nos perguntarmos e sem nos posicionarmos, inclusive para nós mesmos. Em uma época tecnológica e de superficialidades em progressão geométrica, isso está cada vez mais comum.

Lendo um pouco sobre a Filosofia Renascentista e sobre os seus humanistas, eis que encontrei a citação abaixo de Francesco Petrarca que, em meio a um movimento filosófico e histórico sedento pelo saber, apontava que a sede precisava de um líquido moral primeiro – conhecer a si mesmo. De uma forma bem diferente e com uma nova leitura, reeditava-se a fala do Sofista Protágoras: “o homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são”.

Sim, podemos ser a medida de tudo. Felizmente, para alguns aspectos e, infelizmente, para outros. No entanto, de que adiantaria saber de tudo se não buscamos saber de nós. Por isso, Petrarca questionou em tom filosófico e provocador:

“Mesmo que essas coisas fossem verdadeiras, elas não seriam de nenhum auxílio para nos assegurar uma vida feliz. Pois qual seria a vantagem de conhecer a natureza de animais, pássaros, peixes e répteis, enquanto se permanece ignorante da natureza do homem, sem saber ou se interessando de onde ele veio e para onde vai?”

Caro leitor, eu não perguntarei de onde você veio. Isso poderá ter construções diversas em termos pessoais, ideológicos e religiosos, porém, permita-me perguntar:

Para onde você vai?

Para onde você quer ir?

Já analisou qual caminho deverá seguir?

Você deseja alcançar isso?

Enfim, sua vida é um movimento ou é uma inércia anômica?

Pense e responda. Isso te fará bem!

Régis Eric Maia Barros