Para aquele que arrota moral extrema

Falso moralismo

Durante minhas leituras e estudos sobre ética e moral, que são temas sobre os quais tenho fascínio, eu refleti se existe alguém 100% ético. Portanto, alguém que aplique em tudo, exatamente em tudo, um funcionamento moral pleno e virtuoso com os imperativos categóricos e universais de Kant em todos os atos da vida. Possivelmente, esse ser não existe, pois o ser humano vai se equivocando no agir em face dos seus desejos, sonhos e prazeres. Nem que seja em pequenas coisas e nas questiúnculas, o humano acaba por escorregar e realizar deslizes.

Então, o que pensar daqueles que querem demonstrar moral plena e absoluta nos seus escritos ou publicações? O que pensar daqueles que, nas suas mídias sociais, teimam, de forma ácida, a criticar o comportamento alheio? O que pensar daqueles que de forma dominadora e provocadora atacam outras ideologias (políticas, religiosas e comportamentais)?

Eu tenho uma teoria sobre eles. Acredito que, na verdade, eles armam uma couraça que tenta esconder muitas coisas que, provavelmente, são questionáveis e quem sabe, até, perversas. O discurso crítico, julgador e de repreensão faz parte dessa defesa embusteira. Ou seja, quem grita, em demasia, com apelos morais excessivos esconde-se, nesse discurso, para impedir que as pessoas percebam como ele é ou como ele foi. Em outras palavras, a postura radical de solicitar moral plena em tudo reflete uma formação reativa que representa um tipo de defesa do ego. Esse conceito psicanalítico prova que essa postura ora agressiva, ora orgulhosa tenta esconder desejos. Enfim, quem vomita, recorrentemente, discursos moralistas e vê imoralidade em tudo, acaba por se entregar. Como dito pelo Coringa, “todos temos algo a esconder”. Certamente, os moralistas extremistas têm muito que esconder.

Régis Eric Maia Barros