Papai, por que mudamos?

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Essa foi a pergunta do meu Leozinho enquanto estávamos a caminho da sua escolinha. Ela foi feita de supetão, embora, certamente, ele tenha construído uma reflexão na sua cabecinha sobre esse assunto.

Perguntei-o sobre o porquê daquela pergunta e ele me respondeu que “não queria mudar e que preferia continuar criança”. No fundo, eu não poderia confrontar esse pensamento, pois, para mim, somos melhores, quando crianças. Já até publiquei um livro sobre essa reflexão. Contudo, imaginei como poderia abordar isso usando um pouco de filosofia. Então, eu respondi pensando em Heráclito e nas suas idéias filosóficas do devir e da mudança de tudo, inclusive de nós mesmos. Essa foi a minha resposta:

“Filhinho, todos nós mudamos e você também mudará. O mudar, em si, não é o problema. O ruim é quando mudamos e perdemos aquilo que é bom. Por exemplo, você é uma criança que brinca, que canta, que dança, que corre e que se diverte. Você é lindo. Uma criança linda e feliz. Então, quando você tiver grandão igual ao papai você poderá e deverá brincar, cantar, dançar correr e se divertir. Você poderá e deverá ser um adulto feliz. Você não será mais criança, porém carregará dentro de você um bocado de coisinhas do Leozinho de hoje. Você deverá ser um adulto com o sorriso e com o olhar desse meu Leozinho. Então, filhinho, não tenha medo de mudar e crescer. Vamos ficar grandes e lutar para manter tudo de bom que você carrega em você mesmo”

Espero ficar velhinho e ver meu Leozinho – homem crescido – mantendo boa parte dessa beleza encantadora de criança. Se Deus me presentear com essa possibilidade, partirei numa felicidade difícil de ser mensurada.

 

Régis Eric Maia Barros