O que esperar?

niilismo

Um niilismo sem igual toma conta de mim. Ratos políticos se espalham por esse país repartido para os esquemas. Um presidente surreal que não tem o senso do ridículo. Um chefe de Estado que fala, publicamente, sobre a mulher “economista” a qual entende das “compras do supermercado”. Uma espécie de “recatada, do supermercado e do lar”. Para quem gosta de psicanálise, não é novidade que o inconsciente fala. Na verdade, o inconsciente desnuda e, para entender isso, basta perceber as entrelinhas. O inconsciente do atual presidente fala todas as vezes que ele se pronuncia.

As exceções que me perdoem, mas o que temos é um Congresso Nacional podre e um Judiciário que, cada vez mais, não oferta segurança jurídica. Um caos sem igual. Tudo contaminado. Inclusive, muitos dos que estão lendo esse artigo alimentam essa contaminação. De tanto aplicar o “jeitinho brasileiro”, demos um “jeito” na ética e, de quebra, na moral. As instituições padecem desse “jeito” e acabam por articular o mal. As pessoas querendo se “dar bem” a todo custo. O importante é ganhar o seu e “o resto é o resto”. Uma sociedade alicerçada nesse cancro e, se nada mudar, fadada a derrota.

E nós? Esperamos o que? Sempre que o caos impera, tendemos a nos apegar na esperança. Então, pergunto: qual e quem será a nossa esperança? A verdade dói e a realidade machuca. Olhemos o cenário atual e analisemos esse questionamento sob a égide das opções disponíveis. Se você fez esse exercício, entenderá agora o porquê do meu niilismo o qual só aumenta. Os poderes, infelizmente, se corromperam e não sei se nosso povo é capaz de aprofundar a reflexão sobre esse momento para quebrar essa história. Até por que a nossa “pátria de chuteiras” com muito “samba no pé” espera novos carnavais e, de preferência, com muito suor, cerveja e belas passistas. Tenho que terminar esse desabafo, escrito no meu smartphone, visto que o rapaz que trancou meu carro numa vaga pública em Brasília acabou de chegar. Aproveitarei para perguntá-lo se ele participou das recentes manifestações de rua contra a corrupção…

Régis Eric Maia Barros