O produto da angústia  

angústia

A angústia do ser humano é algo universal. Mais do que isso, a angústia no ser humano é um processo democrático. Todos já padeceram desse mal. Sem dúvidas, ela tem contato constante conosco. Ela ronda as nossas vida. A angústia esteve, está ou estará presente. Dela, nós poderemos extrair algo para a nossa vida ou, melhor ainda, nós poderemos ser maiores após o ciclo de um angustiar.

Os existencialistas evidenciaram isso. Usando uma linguagem, por vezes, densa, eles conseguiram nos mostrar que, na angústia, poderemos nos olhar mais. Na angústia, poderemos encontrar a nossa autenticidade, visto que, é inevitável que nos olharemos de forma mais profunda e desnuda. De fato, ao ficar angustiado, somos mais introspectivos e refletimos mais sobe nós mesmos. Nesses momentos, nós nos reavaliamos e avaliamos nós no mundo. Essa vibração de olhar interior promovido pela angústia pode determinar um crescimento sem igual. Não que eu defenda que, para crescer, precisamos viver angústias repetidas, porém, se pararmos para pensar, depois de um ciclo temporal temperado por uma angústia, nós nos sentimos mais fortes. Alguns confirmam isso com o linguajar coloquial, por exemplo: “é casca grossa”. Faz sentido, pois parece isso mesmo. A cada angústia, nossa “casca” fica mais robusta e gradativamente não é mais penetrada por aquilo que nos “cortava” no passado.

Um ato dilemático, visto que, quando nos sentimos fracos, poderemos nos transformar em fortes. A força e a fortaleza são produtos, sobretudo, da sensação de fraqueza. Cito 2 Coríntios 12:10 – “Porque, quando estou fraco, então, sou forte”. Que interessante! Há existencialismo na Bíblia. Nós, humanos, não conseguiremos afastar as tribulações que ocorrerão durante a nossa existência. Elas nos machucarão e poderão nos fazer chorar. Elas quebrarão o equilíbrio e nos deixarão indefesos. Talvez, elas nos mostrarão que ficaremos impotentes quando estivermos frente a frente com algumas delas.

Sem problemas, pois, como evidenciado pela filosofia e teologia, nós cresceremos e nos fortaleceremos. Nossa sensação de fraqueza será sobrepujada por uma força capaz de nos surpreender. Essa força emana do ato de se olhar e de perceber que somos uma prioridade potente. Podemos, mesmo com a dor do angustiar, alcançar isso na trajetória de um ciclo doloroso. A partir disso, encheremos figurativamente a nossa alma com a nossa coragem. Acredito que O Teatro Mágico apontou isso nesse belo trecho de umas das suas músicas – “Enchendo a minh’alma d’aquilo que outrora eu deixei de acreditar”.

É isso aí! Encher a nossa alma com a nossa coragem e a nossa capacidade de ser mais e poder fazer mais. Mesmo que você, hoje, não acredite nisso, há de acontecer essa percepção, pois, sem te conhecer, eu sei que és forte e não notaste.

Régis Eric Maia Barros