O novo paradigma da medicina

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Vivemos uma nova era. Uma era de descobertas e avanços científicos. Tudo evoluiu numa velocidade sem igual. Então, temos, na medicina, novas ferramentas para diagnosticar as doenças e infindáveis possibilidades para tratá-las. Apesar disso, será se essa nova medicina acolhe as dores e as amarguras dos doentes? Esse novo médico consegue estar ao lado de quem padece ofertando apoio e conforto?

Perguntas que incomodam, mas que são bem atuais. Por mais que avanços extraordinários aconteçam, o adoecer, o sofrer e a morte são certezas concretas na vida de todos nós. Isso não mudará. Passamos uma longa jornada correndo atrás de ferramentas e possibilidades para frear ou impedir isso. Perfeito! Isso é bem válido. Mas, quando lidamos com vidas e histórias, isso é pouco, muito pouco.

Por mais que a ciência médica tenha tido avanços imensuráveis nos últimos anos, os médicos estão presos a uma inércia latejante quando lidam com dores, sobretudo as emocionais. Às vezes, fico assustado quanto pergunto aos meus alunos, no curso de medicina, sobre como eles lidarão com: 1) O choro de um paciente ou de um familiar; 2) A morte precoce de alguém que ele assistirá; 3) A impotência, tão comum, frente à algumas questões negativas dos tratamentos; 4) As perdas que são recorrentes na profissão.

Se, por um lado, alcançamos avanços fantásticos, por outro, atrofiamos a capacidade de ter alteridade e empatia. O amor, que emana da medicina, está perdendo espaço para protocolos. Nós, médicos, estamos deixando isso de lado e estamos, cada vez mais, parecidos com robôs. E, nessa perspectiva, perdemos o mais poderoso remédio – o amor caridoso e sincero. Como bem dito por Rubem Alves, ao falar do médico e da medicina: “o amor é remédio”.

Régis Eric Maia Barros