O mundo estaria ficando mal?

bem x mal

Há dois dias um amigo próximo, angustiado pelo exagero de eventos violentos no mundo, pediu-me para escrever sobre isso. Então, tentarei fazê-lo. Começo concordando em parte com ele. Ou seja, se ligarmos a TV, nós assistiremos um miscelânea de situações tenebrosas: homens bombas, assassinatos, atiradores, fome, corrupção e por aí vai. Seria isso a comprovação da propagação do mal na espécie humana? A minha reflexão não vai nesse sentido e tentarei estruturá-la rapidamente. Para tal, pergunto-vos: o que seria o mal? Vou além com outro questionamento: haveria mal autóctone ou adquirimos isso? Enfim, se há mal, sem perceber, confirmamos a existência do bem. E, por mais que a genética mostre construções hereditárias de comportamentos, acredito que a “maldade” e a “perversão” dos comportamentos são ajustadas e adquiridas nas nossas interações com o mundo. Portanto, temos tudo para sermos pessoas boas, mas, para alguns, infelizmente, outros caminhos foram e são construídos. Essa edificação da maldade é uma conseqüência de diversas questões da vida que ocorrem desde a nossa infância mais remota. Assim sendo, eu aceito que, de fato, há inúmeras pessoas más e capazes de atos insanos, inconseqüentes e agressivos. Há, sim, pessoas capazes de maldades gigantescas. No entanto, elas não são maioria. Dessa forma, eu respondi a esse amigo. A maioria é diferente desses representantes cruéis dos homens. Usei-o como exemplo. Mostrei a bondade dele e sua relação, inclusive, ingênua nesse “mundo cão”. Descrevi que aquela puerilidade amorosa prova que há mais bondade do que maldade nessa vida. Compreendo que aquilo, que é mal, chama muito mais a atenção do que aquilo, que é bom. Se existem homens bombas, assassinatos, atiradores, fome e corrupção, nós encontraremos uma antípoda muito maior. Nós, certamente, teremos um contingente de pessoas ricas de alteridade, caridade e bondade. Não costumamos percebê-las, valorizá-las e aplaudi-las. Acho que está na hora de aplicarmos essa percepção e valorização reverenciando-os com muito aplauso. Se há o vetor da maldade, existe um vetor de bondade em sentido contrário e de potência muito maior. Assim, para esse meu amigo, afirmo que o mundo não está ficando mal por mais que muita maldade exista. Na verdade, estamos, cada vez mais, deixando de perceber, reverenciar e, o mais grave, de propagar o bem.

Régis Eric Maia Barros