O medo de perder

Léo e Ben com os gansos

Hoje, atendi uma paciente que descreveu a sua esquiva de se vincular às pessoas e aos afetos. Ela tinha uma razão para isso. Segundo ela, tantas perdas sofridas e dolorosas já tinham acontecido na sua vida que o melhor seria se esquivar para não perder mais.

Talvez, o melhor seria entender que o perder faz parte e, se ele existe, é por que, vez por outra, ganhamos. Nessa jornada da vida, podemos optar por evitar vínculos pelo medo da perda ou entender que perder faz parte da vida. Sempre que perdemos, não há uma derrota per si, mas sim o fim de um ciclo. Essa espiral de ciclos, uns começando e outros terminando, traz possibilidades à vida. Essa alternância faz da vida um bem pulsante.

Claro que perder dói!
Claro que a perda machuca!

Mas, mesmo assim, nós não podemos nos fechar na defesa de evitar novas buscas. Fazer isso nos levará, invariavelmente, a lacuna e a tristeza. É muito penoso viver sem novas experimentações. Há um custo muito caro vinculado a essa atitude. Eis o porquê de vivermos. Ou seja, a necessidade de nos jogarmos para a vida.

Surge a pergunta:
Essa vida é hábil em nos machucar?
A resposta é certa e fácil:
Sim!
E daí? Mesmo assim, é preciso se lançar nela. Sem medo, sem freios e sem esquivas.

E se as perdas chegarem?

Na verdade, atrevo-me a afirmar que elas chegarão. Quando chegarem, precisaremos entender que, a despeito dessas perdas, valeu muito à pena toda aquela vivência que tivemos. Que foi muito bom ter aproveitado todos aqueles momentos. Que foi mágico ter podido experimentar todos aquelas sensação.

Em suma, a ausência não significa perda. Aquilo que foi perdido e que lamentamos perdê-lo não desaparece de nós. Tudo fica incorporado dentro de nós e para sempre. Não morre mesmo na ausência. Carregamos conosco para todos os cantos e em todos os momentos.

Não tema perder! Viva e continue vivendo…

Régis Eric Maia Barros