O médico

aula CEUB

Ser médico não é algo apenas no concreto, mas sim de natureza abstrata. No concreto, tentamos tratar e curar. No abstrato, ofertamos amor e cuidado. Sem essa abstração altruísta, caridosa e humana, a medicina morre. É dever acolher quem padece. É missão acalentar quem sofre. Sem isso, a medicina é superficial e o médico passa a ser, somente, mais um que ver a dor e não tem desejo de se envolver com ela. Portanto, se houver essa superficialidade, nunca, de fato, acontecerá a verdadeira medicina. Ser médico é ser revolucionário e lutar sempre. Lutar por si, pela medicina e, sobretudo, pelo paciente. Ser médico é compreender que a missão de cuidar sobrepuja quaisquer enfoques éticos, ideológicos, sociais e políticos. Essas questões não têm nenhuma importância quando estamos diante de alguém que sofre por algum infortúnio. Ser médico é ir além da própria medicina, pois, mesmo que não possamos fazer mais nada em termos médicos, poderemos fazer muito em termos humanos e humanísticos. Na verdade, não é uma questão de poder fazer, mas sim de dever fazer. Devemos, sempre, ser assim. O médico tem a obrigação de representar o amor e a bondade, sentimentos tão raros nesse mundo cruel. O sofrimento e a dor são capazes de desnudar qualquer pessoa e, ao sofrer com eles, nós nos tornamos frágeis e, por vezes, impotentes. O médico deve estender a mão àqueles que sentem essa dor e esse sofrimento. É na dor emocional que encontramos uma autenticidade não percebida na homeostase psicológica. Então, ser médico é não se esquivar de estar com quem se percebe perdido por essa dor (física ou emocional). Ser médico é aliviar. Ser médico é prescrever além de medicamentos. Médico prescreve esperança e dignidade. Assim, deve ser o médico. Dessa forma, eu me reporto aos meus colegas médicos e aos meus estudantes de medicina. Como dito por Foucault,“na aurora da humanidade, antes de toda crença vã, antes de todo sistema, a medicina reside em uma relação imediata do sofrimento com aquilo que alivia”. Ser médico é, sempre, aliviar o sofrimento.

(*) imagem de um dos slides de uma conferência aos alunos de medicina do UniCeub

Régis Eric Maia Barros

Médico Psiquiatra