O fim e o recomeço

eu-acredito

Todo fim vincula um recomeço. A vida é composta de ciclos. Nós que não notamos ou, às vezes, não queremos notar. A cada ciclo fechado, nascerão novos ciclos. Sucessos e decepções nos marcam e ficam registrados, mesmo com a passagem e o fim dos ciclos. No entanto, nunca podemos lutar contra esse dinamismo. É preciso continuar. O tempo urge.

Por isso, o dia 31 de dezembro representa, somente, um dia dos vários dias do ano em que essa construção reflexiva é retirada do nosso inconsciente. O novo e o melhor não nascerão com o “ano novo”, mas sim com a nossa vontade e gana de mudar e crescer. Citando Espinoza, podemos recomeçar e, por conseguinte, viver melhor usando a nossa potência de agir. Um movimento constante que pode nos levar a mais. Uma espécie de infinito dentro do finito que nos permite ser capaz daquilo que, anteriormente, duvidávamos. Portanto, a mudança dos ciclos e o recomeço constante são demonstrações de que a vida está em movimento. Esse devir não é especificado por datas, mas sim pelo seu desejo o qual precisa se afastar da anomia. A potência de agir do nosso existir é a força motriz que nos move. Sem ela, acabamos por nos tornar esses seres peculiares, que fazem superficiais contagens regressivas no último dia do ano.

Como se o ato de contar os últimos segundos do ano prestes a terminar, trouxessem mudanças ou alguma motivação por uma suposta transformação da nossa potência de agir. Não é por aí. Os segundos, minutos, dias, meses e anos passam rapidamente e, mesmo assim, podemos escolher não mudar, apesar das várias contagens regressivas de outrora.

Mude em você e mude por você. Somos capazes de nos modificar e nos proteger. Somos capazes de derrapar e se reerguer. Somos capazes de nos regerarmos frente às dores e lacerações da vida. Somos capazes de muito. Basta acreditar. Essa capacidade e característica chama-se conatus para Espinoza, mas eu costumo apelidar de propulsor do existir. O nome a ser escolhido é o de menos, pois, se entendermos que é possível estimular e alimentar essa capacidade em todos os dias do ano, poderemos recomeçar diariamente. Desse modo, perderá o sentido ficar preso ao 31 de dezembro para querer mudanças.

O mudar e o conquistar novos ciclos são fenômenos constantes que não deveriam aceitar datas específicas. A mudança é nossa e nós que deveremos ser protagonista dela. Que comecemos as mudanças já…

Régis Eric Maia Barros