O estupro – uma criação do “homem”

Estupro

 

Qual espécie responde pela atitude de estuprar? Qual animal da biosfera é capaz de se reunir em bando para estuprar uma fêmea ou outro macho da própria espécie? A resposta dói e machuca. Somente a nossa espécie é capaz de fazer isso. Caso eu esteja equivocado, peço, humildemente, que os biólogos e os outros estudiosos da área corrijam-me. Lamento muito por tudo, mas acho que eu estou certo.

 

Enquanto espécie, o “homem” usa da perversão para ser mau e realizar essa maldade. Da mesma forma, enquanto macho, o “ser humano” usa do machismo para dominar e se impor. Essa é a nossa sociedade. Pelo menos, assim, tem sido. Um conservadorismo em sua essência. Os exemplos são diversos. Os comportamentos, as falas e as justificativas falam por si só. Não é a toa que, atualmente, não temos ministérios chefiados por mulheres. Não é a toa que existem inúmeros brasileiros que aplaudem um deputado que ironiza dizendo, em cadeia nacional, que uma mulher “não merece ser estuprada”. Não é a toa que muitos concordam que a mulher tem que ganhar menos pelo fato de ser mulher. Não é a toa que se gritou nos estádios brasileiros, que tiveram jogos da Copa do Mundo, o seguinte: “Dilma vai tomar no c…”. Não é a toa que se criam justificativas mesquinhas e hipócritas para o estupro, por exemplo: roupas da mulher, posturas da mulher e atitudes da mulher. Só existe um culpado: o homem – autor do estupro, espécie e os demais homens que aceitam as posturas destacadas acima.

 

A nossa sociedade criou isso. A nossa sociedade propaga tal cretinice. Por mais que isso nos choque, esse fato não é incomum. Infelizmente, essa é a realidade desse país. Nada surge do nada. Há sempre razões para os eventos e comportamentos. Os criadores e as criaturas sempre coexistem. Os exemplos são diversos para confirmar o que escrevi. Nós (espécie humana, homens e sociedade brasileira) não protegemos nossas mulheres. Nós as expomos e também as machucamos. E o pior é que tudo isso acontece sobre o falso selo da normalidade e, por vezes, do “correto”. Somos de alguma forma culpados. Todos carregam em si tal culpa por mais que não sejamos estupradores. O ato de não se revoltar e a omissão frente a essas situações vinculam a culpa.

 

O período histórico é triste. Sucumbe-se em face das posturas perversas. Matamos e nos matamos. O tiro sairá pela culatra caso não se acorde. Ainda há tempo e esperança. Conclamo: vamos acordar!

 

Régis Eric Maia Barros