O combate à corrupção

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De onde vem a corrupção? Onde está a sua gênese? A corrupção não tem seu nascituro na abiogênese nem é produto, somente, de construções neurais ou neuromoleculares. Na verdade, as pessoas se tornam corruptas e se mantém presas a esse modus operandi. E se a corrupção é tão comum em todas as esferas de um povo, temos uma constatação triste e niilista – essa sociedade historicamente retroalimenta a corrupção.
 
Seria o Brasil um exemplo de tal fato? Aqui, muitos apregoam que são contra a corrupção. Inclusive, aderem e divulgam campanhas de combate a esse cancro. No entanto, uma proporção desses muitos acaba por se corromper no cotidiano da vida. Nosso discurso clama pelo fim da corrupção, porém o agir social é preenchido de desvios os quais transitam desde coisas simples, como furar uma fila, até coisas vultosas, como sonegar milhões de reais. Ao final, acredita-se que tudo isso é normal e quem sabe alimenta o “jeitinho brasileiro”.
 
A repetição dos atos de corrupção acaba por incorporar, no funcionamento social, esse movimento de corromper. A conseqüência é perversa e cria um Estado sem crédito e uma nação convalescente. Antes de serem políticos, eles foram cidadãos. Antes de serem adultos desviantes, eles foram jovens com possibilidades. Antes de serem jovens, eles foram crianças repletas de sonhos. Foi num desses tempos históricos que a corrupção prosperou. E o pior é entender que, de forma semelhante aos outros condicionamentos humanos, a corrupção, uma vez cristalizada no aparato emocional das pessoas, não deixará de acontecer pela força da punição. Acredito que o punir com maior rigor poderá inibir alguns corruptos vacilantes, contudo os corruptos continuarão armando, pois suas essências não permitirão autocríticas ou insights apurados.
 
Então, onde deveria ser o maior investimento para controlar a corrupção e qual seria a medida mais promissora para se ter sucesso nesse combate?
 
Se não prevenirmos o estabelecimento cultural da corrupção, nós teremos uma realidade contaminada por ela. Sem um capital ético, qualquer sociedade sucumbe nesse objetivo de exterminar a corrupção e os corruptos. Olhem para a nossa educação e para os investimentos governamentais na formação do nosso povo. O que poderíamos esperar? O Estado não promove essa matriz ética. Consequentemente, desde cedo, aprendemos que a “gambiarra” e o “jeitinho” são características do nosso povo. Infelizmente, alguns até se vangloriam disso. Eu sinto vergonha! Isso evidencia que podemos criar quantas medidas punitivas quisermos. Elas serão maquiagem e não resolverão nada, visto que, o cerne da questão não foi tocado.
 
Se quisermos mudar tal perspectiva para o futuro das nossas gerações, deveremos agir desde então. Precisaríamos construir cidadãos. Precisaríamos formar pessoas de bem. Precisaríamos quebrar o paradigma do nosso povo. Portanto, se formos otimistas, ainda teremos que esperar muitos anos para usufruir dessa metamorfose. Se quisermos mudar essa realidade, precisaremos ter uma educação digna para o nosso povo. Isso sim combateria de forma mais efetiva a corrupção.
 
Régis Eric Maia Barros