O amor em tempos de dor

Léo e Ben no quintal

Quando a dor lateja, resta-nos, como solução, o amor. Se não há amor, nada nos resta. Não se deve abdicar de amar, senão morremos. Em meio ao “se não” e o “senão”, nada sobrará. O amargor corrói e, para combatê-lo, o amor constrói. Só assim acontecerá a verdade. Fora isto, a maldade confirmará seu furor. A cólera das dores maltrata, machuca, sufoca e derruba. Só quem a sentiu, entende. A dor é assim mesmo – uma vivência inesquecível para todas as suas vítimas. Eis o emplasto para tratá-la – o amor. Mas o que seria o amor? Seria um sentimento entoado da boca para fora e de forma superficial em todas as esquinas?

Não! Isto não é amor, mas sim uma representação pobre do ser humano que confunde o que é o amor. O amor é mais “ser” do que “ter”. Ele está em ti e na sua essência. Permanece, a cada minuto, vívido no seu ser. Ele não precisará de demonstrações, pois ele realmente é. Aquilo que demanda demonstrar nunca será ou nunca poderá ser. O entendimento disso redimensiona o amor, pois, ao permitir trocas e doações, coloca-o no patamar correto – o de sentimento motriz da vida. Tal movimento impulsionará sempre para frente. Se as dores apedrejaram ou estão gerando sangramentos na alma, pouco importará, pois o amor criará novas conexões e certezas de continuação. Por isso, a vida vale à pena. Sempre, valerá! O amor permite significar e dá as devidas significâncias para ela. Ao final, o viver foi rico. Estas serão as causas de termos vivido. O amor sempre trará os significados da existência e a explicação do devir do nosso acontecer.

A prescrição para a dor é o amor. Como médico, entendo assim. Podem-se usar muitos recursos terapêuticos. Inclusive, não só se pode como se deve. Enfim, devemos usar tudo, contudo, por favor, nunca nos esqueçamos de usar o amor. É um papel humano que, por vezes, fica esquecido. Então, se isto vier acontecer, a vida doerá…

Régis Eric Maia Barros