Nunca estamos sozinhos…

Forrest Gump

A solidão machuca. Ela é como se fosse uma ferida inflamada. Só o ato de lembrá-la é capaz de gerar desconforto. Imagine quando ela é tocada! Aí que vai doer mais e que vai doer mesmo.
Na última semana, um paciente questionou-me com um olhar aflito de socorro: “doutor, como faço para lidar com a minha solidão?”
Se você parar para pensar, não era uma tarefa simples responder a essa pergunta. Então, pensei no Forrest Gump – o fantástico filme estrelado por Tom Hanks.
“Corra! Forrest! Corra!”
Assim era a vida solitária de Forrest. Correndo em busca de encontros e passando por muitos desencontros. Sempre “em busca de”, a despeito da habilidade de sofrer com as dores da vida e do mundo. Portanto, o “correr” e as “correrias” são necessárias e, ao fazê-las, nunca estaremos sozinhos.
Tentei explicar isso a paciente, mas, pela sua situação emocional do momento, o entendimento não foi pleno. Desse modo, exemplifiquei e disse:
No filme, o par romântico de Forrest era Jenny. Ela teve uma vida emocionalmente sofrida com perdas, abusos e agressões. Isso acabou se reverberando no futuro. Coincidências ou não, foi Janny que pedia para Forrest correr. Mesmo sem forças para a sua correria, ela dizia: “Corra! Forrest! Corra!
Certa vez, numa das suas conversas, onde Forrest descrevia suas “correrias”, Jenny disse: “queria ter estado lá com você”. Ele respondeu: “você sempre esteve”.
Enfim, nunca estamos sós, por que carregamos dentro de nós as nossas histórias, os nossos amados e o que de bom aconteceu nas nossas “correrias”. Infelizmente, a sensação de estar sozinho confunde essa análise e acabamos por não perceber o que fica dentro de nós.
“Corra! Não deixe de correr”
Régis Eric Maia Barros