Nostalgias do sertão

Casarão

Quando criança e adolescente, vivi por lá. Basicamente, os melhores momentos do começo da minha vida aconteceram lá, no sertão cearense, no Vale do Jaguaribe e na cidade de Limoeiro do Norte. Essas vivências não ficaram estáticas e presas ao passado, visto que elas sempre andam juntas de mim em todos os momentos da minha vida e em todos os lugares onde caminho. Momentos bons e felizes. Situações ricas de afetos pulsantes. Períodos em que as relações eram mais puras e, por que não dizer, verdadeiras. Pouco importava se o dinheiro era mais escasso. Nessa época, até, a família era mais harmoniosa. Tempos que não voltam! Histórias contadas nos corredores e nos sítios repletos de vegetações da caatinga. Moleques correndo com os pés descalços atrás de uma bola velha. Banhos e mergulhos despretensiosos no rio, que passava na parte detrás do terreno da família. Forrós e tertúlias de jovens sonhadores com o mundo. Andando de bicicleta Monark na “cidade das bicicletas”. Pescarias e histórias. Pescarias com histórias. Risadas e gargalhadas. “Carteados”, que varavam as madrugadas, regidos com uma boa música e uma boa cerveja. Feriados reunindo os amigos. Um desejo de romper a BR-116 e ultrapassar os 192 km que nos levava à Limoeiro do Norte. Passando pelas cidades do caminho e cortando o trânsito da saída de Fortaleza. Geralmente, as viagens ocorriam ao amanhecer. Às vezes, saíamos no final da madrugada. Essas memórias são ricas de lembranças. O “Casarão” em festa! Passando pela Fábrica de Filtros e adentrando na estrada “carroçal” que nos levava ao próprio “Casarão”. Conversas na calçada ao entardecer. Conversas debaixo do pé de Tamarindo em pleno meio dia. Dias de calor e outros dias de chuva. Invasão de sapos que buscavam os besouros. A vida é construída assim – Seqüências de experimentações que não podem ser experimentadas novamente. Fica a vivência! Fica tudo recordado nos órgãos do sentido. Fica tudo guardado na memória. Meus hipocampos a mil! Senti saudades e tive vontade de escrever esse pequeno relato. Cabe-me, então, compartilhar. Certamente, todos, que tiveram a paciência de lê-lo, também têm suas recordações.

Régis Eric Maia Barros