Não tem como acreditar…

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Enquanto não se pensar criticamente, nada mudará. Sem ter uma capacidade de abstrair, que se apresente na análise mais profunda do cotidiano, o povo sempre será enganado. Sem uma educação real, modificadora e inclusiva, seremos, ainda, por muitas décadas, uma grande massa de manobra.
 
Assim, eu me vejo imerso nesse niilismo. Vendo o cenário atual desse país, percebendo a qualidade dos nossos políticos e convivendo com o vazio ético que estrutura as nossas relações sociais, não me resta alternativa. Esses fatores em conjunto levam-me a entender que por muitos anos a lógica se manterá estática. Seria tolo, bobo e ingênuo, acreditar que algum desses nossos políticos investirá, de fato, numa educação libertadora. Claro que não! Se os “aprisionados” forem soltos, todos esses políticos perderão as suas próprias profissões de “políticos profissionais”.
 
Desse modo, resta a esses políticos manter esse status quo de penumbra intelectual e acadêmica do nosso povo. Somente assim, esses políticos conseguem se perpetuar com toda essa roubalheira desenfreada e disseminada. Ao pensar, questionamos. Ao entender, cobramos. Ao aprofundar o conhecer virtuoso, somos cada vez mais éticos. Consequentemente, com uma educação libertadora, nós seríamos eticamente capazes de questionar e cobrar. A partir daí, essa horda de políticos seria exorcizada.
 
A transformação não acontece com mágica nem com pirotecnia, ela se concretiza com seriedade e investimento contínuo do Estado. Após isso, as transformações internas em cada um de nós acontecerão espontaneamente e, depois de um tempo, seremos um coletivo com voz única. Mas, infelizmente, as amarras estão feitas e as correntes possuem cadeados rígidos e fortes. Essas trancas, criadas por esses políticos, alimentam o próprio sistema político nacional. Eis o meu niilismo. Um dia há de se mudar, porém, angustiadamente, penso que demorará muito. Torço, quem sabe, para que a geração dos meus filhos e dos meus netos beba dessa esperançosa transformação. Acho que a minha não usufruirá disso, visto que, o sistema é cruel e mantém o povo na escuridão do não saber…
 
Régis Eric Maia Barros