Medicina – uma arte vinculada à ética

Ética - aula slide

 

A ética está incorporada na estrutura fundamental da medicina, pois, sem ética, ela não opera no sentindo de causar mudanças. Mesmo que os conteúdos teóricos em ética sejam escassos nos currículos de algumas escolas médicas, ela – a ética – está no alicerce da formação de um bom médico.

 

A medicina é composta de um tripé cujas pernas estão vinculadas entre si (conhecimento técnico-científico, amor e ética). É preciso ter tudo isso para ser considerado um real médico. Se quaisquer desses pés faltarem, a medicina deixa de existir e o médico deixa de ocorrer. Não é incomum que as nossas escolas médicas direcionem, quase que exclusivamente, o olhar para o primeiro componente desse tripé. Contudo, ressalto que sem os outros dois nada prosperará e a arte médica não existirá. Talvez, em face do apego quase exclusivo ao primeiro pé do tripé, tenhamos muitos bons técnicos, mas médicos em essência, não.

 

E a ética! Onde ela fica representada e localizada nesse mapa da arte médica? Em tudo, pois, nesse vazio ético contemporâneo, ela é capaz de nos guiar nos trajetos da função da medicina. Ela permite que sejamos mais. Na verdade, muito mais do que bons “prescritores” e “diagnosticadores”. As nossas relações clamam por ética. Ao nos relacionarmos com o mundo, com os outros, com a sociedade, com os pacientes e com os outros colegas médicos, demandamos a presença da ética. Essa gangorra entre ética e não ética explica, em parte, a desvalorização e a crescente falência da medicina. Quando faltamos com a ética, acabamos machucando a medicina e, conseqüentemente, ela vai se enfraquecendo. Como uma grande geleira polar, há um desgelo lento e gradativo da medicina. Torço para que o desgelo da medicina seja reversível. Tenho essa esperança. No entanto, se não incorporarmos cada vez mais ética nas nossas diversas atitudes, é possível que ele avance mais.

 

Em meio a governos sanguinários e a políticos corruptos, precisamos, cada vez mais, responder com ética. Sejam elas na condução com o paciente, na aplicação da medicina e na relação entre nós, colegas médicos. Entendo que somos vítimas de muitos eventos, mas isso não legitima uma carência de ética nas nossas relações e na aplicação da arte médica.

 

Qual será o futuro da medicina? Confesso que, no momento, não saberia responder. Todavia, o presente é que dá as cartas. Desse modo, se nós mudarmos algumas construções do agora, certamente, nós poderemos ter dias melhores lá na frente. Há muito desgaste e muita revolta. Nós, médicos, fomos e estamos sendo atacados na moral e no âmago por governos destemperados, mas precisamos refletir que nossa resposta social deverá, sempre, ter a ética como alicerce. É a âncora da ética que nos fortalecerá enquanto pessoas, cidadãos e categoria.

 

Régis Eric Maia Barros