Marcas de tortura

torturados

Há alguns dias documentos oficiais evidenciaram um pequeno pedaço das práticas dos governos militares no Brasil. Quantos outros documentos se perderam no tempo e, com eles, surgiu um silêncio que ecoa nos ouvidos da história. Na verdade, essa documentação do Governo Geisel desnuda a ponta do iceberg o qual, a ser avistado, gera esquivas perversas daqueles que defendem essa prática.

Como alguém pode defender tortura? Mais grave do que um governo ditatorial praticar tortura é alguém defender ela usando de justificativas mesquinhas como por exemplo “que esses torturadores nos livraram do comunismo”. Esse discurso é mal e tenta se esconder numa roupagem de ética e correição. Não há justificas nem nunca houve para a prática de tortura e do extermínio. Pouco importa quem esteja sendo torturado e pouco importará o que ele fez, visto que, justiça não é isso e justo não é impor violência dessa natureza.

A história foi materializada com o escalão superior do governo. Esse governo definiu quem deveria ser exterminado pelas questões que ele próprio arbitrou como justas. Se olharmos essa lista governamental e buscarmos quantos foram mortos ou dados como desaparecidos, perceberemos uma sobreposição de muitos nomes. Ou seja, o governo aplicou de fato aquilo que se propôs – torturar e eliminar quem ele julgou inadequado para o Brasil.

Em meio as estórias, essa é a nossa história. Muitos teimam em discordar. Outros tentam criar uma nova roupagem e justificar o injustificável. Se alguém defende torturas e “desaparecimentos”, sob uma vestimenta política e ideológica, esse mesmo alguém é capaz de tudo, visto que, sua perversidade, produto de uma personalidade doente, permitirá esse tudo num salvo conduto a toda a forma de dor.

Mataram e derem um jeito de “desaparecer” com os corpos. Arquitetaram isso com um fundamento maldoso a priori. Depois, trouxeram argumentos de que os “terroristas” e os “comunistas” precisavam ser freados. E no pau de arara muitos sucumbiram. E nos porões muitos silenciaram.

O riso no canto da boca de quem aceita a tortura e até a aplaude desnuda a verdade, ou seja, o fel fétido que exala dessas pessoas. Geralmente, elas pagam uma de “homens de bem”. Geralmente, elas falam de ética e moral além de propagarem valores cristãos. É bem possível que no dia do julgamento final, caso ele exista, tais pessoas tenham que se explicar. Ficará a torcida de que a carapuça caia e que a sua verdade seja exposta.

(*) foto: portal O Globo

Régis Eric Maia Barros