Hoje cá estou;
No Planalto Central;
Médico de ofício;
Psiquiatra desde o início;
Mas, se hoje estou assim;
Feliz por este motim;
Há de se agradecer;
Lembro, portanto, de você;
Limoeiro do Norte;
Outrossim, tão bela;
Como cidades de porte;
Pelo menos para mim;
Que atualmente;
Numa vida a contento;
Não se esquece um só momento;
Das memórias de você;
Se existe sucesso aqui;
As heranças de ti;
Alimentaram este acontecer;
A pureza das relações;
Ajudando o meu florescer;
O afeto das animações;
Moldaram-me;
Guiaram-me;
Na correta direção;
Um vivencial diapasão;
No meu viver;
Um casarão;
“Nenê quer café”;
O papagaio gritou;
E ninguém escutou;
Somente, Nenê;
As férias na casa da vovó;
Fermentando um xodó;
Pela Princesa do Vale;
Nada que existe equivale;
A este meu carinho;
O passado com pulsação;
As recordações em impulsão;
Minhas lembranças;
A molecada correndo;
A bola saltando;
Um alimento;
Da bondade;
Que não se isola;
Permitindo habilidades;
Usadas agora;
Pés descalços e machucados;
Dedos com frieiras e esfolados;
Gritos e gargalhadas;
Pescarias e trapalhadas;
Os forrós nas madrugadas;
A rodoviária e os encontros;
Capazes de nos deixar tontos;
Pescarias na barragem;
Permitindo aquela viagem;
O tempo passou;
Correu e não notamos;
Se não me engano;
Já se foram uns 25 anos;
Esconderijos na fábrica de filtros;
Aventuras no sítio;
Juazeiros frondosos;
Na estiagem estrondosa;
Córregos vivos;
Após o início das chuvas;
Tamarindos cheios;
Repletos com minha saudade;
Churrascos da família;
Atiçando a gritaria;
Todos reunidos;
Uma só voz;
Sem nenhum tormento;
O tempo mudou;
Infelizmente, a união pifou;
Andar de bicicleta;
Com força;
Monark e Barra Forte;
Corra!
Quanta sorte;
Poder lembrar;
Por mais que eu torça;
Nada voltará;
O tempo ficou para trás;
Baralhos que alguém traz;
Carteados engraçados;
Risos inebriados;
Ficamos embriagados;
O passado se foi;
Mantive-o vivo;
Aqui, distante;
Comigo.
Régis Eric Maia Barros
