Insatisfação

Iena

Não é incomum encontrarmos pessoas insatisfeitas com tudo. Há pessoas que sempre reclamam. Há pessoas cujo funcionamento ranzinza e amargo representa a sua constância. Há pessoas em que a irritação e a rotineira reclamação tomam contam da vida. Via de regra, essas pessoas são pesadas e carregam em si uma carga tão negativa que contamina o externo. Quem fica próximo delas acaba por ter uma parte da energia sugada.

Mas, de onde viria essa insatisfação difusa?

Claro que tal insatisfação não é consequente às questões externas e as outras pessoas da vida. Ela é interna. Quem vive insatisfeito com os outros e com o externo, carrega em si uma grande insatisfação consigo. Essa insatisfação vai tomando conta e criando corpo de modo que o insatisfeito vive dentro do seu próprio fel.

Por não saber lidar consigo e com suas questões, a insatisfação, atuada na insalubridade do comportamento, é a representação comportamental dessas pessoas. Uma pena, visto que, ao invés de procurar entender, elaborar e evoluir tais questões, o insatisfeito prende-se cada vez mais nelas solidificando o comportamento.

Ao final, uma corrente que aprisiona e uma prisão surgem na vida de quem propaga insatisfações. Por não se suportar, o insatisfeito projeta no mundo e nos outros essa carga. Embora não seja terapêutico, é mais simples culpar o externo. Como dito por Sartre, “o inferno são os outros”, portanto quem não tem consciência de suas ações culpabiliza, sempre, os outros. Precisamos entender que somos responsáveis pelas consequências das nossas ações, ou seja, ao agir, construiremos consequências tanto para nós mesmos, quanto para os outros. Se houver consciência, não haverá a covardia da culpabilização externa. Isso permitirá que não exista o conforto da mentira que projeta para fora tudo, inclusive a insatisfação.

Viver insatisfeito pode evidenciar nossa percepção conosco e, inoportunamente, a nossa infelicidade com o nosso projeto. Se assim estivermos, deveremos pensar. Ou mantemos esse modelo projetivo da insatisfação ou acabamos por aprofundar as “nossas próprias” questões a fim de nos descobrirmos para criarmos um projeto de vida que nos alimente.

Régis Eric Maia Barros