Inebriado pelo niilismo

Nicholas Winton

 

Percebo-me mergulhando num niilismo perigoso, pois o vazio ético, tão comum às relações humanas do momento, alimenta-o em mim. Tento me desapegar, mas, quando olho criticamente para mim e para fora, eu vejo a nossa espécie – o ser humano. Uma espécie que, infelizmente, tem tendido a esquecer o outro e o semelhante. Uma espécie que esquece da alteridade como fundamento. Parece que, de fato, somos anjos decaídos que cobiçam cada vez mais. Para alcançar esse “mais”, passamos, simplesmente, por cima de tudo e de todos. Quem sabe por causa disso eu sonho com heróis justos e bondosos. No entanto, perceber que eles são produtos da minha mente causa uma dor latejante em mim. Busco as exceções e quem sabe alguma antítese a esse argumento da pobreza da nossa espécie. Há de existir essas pessoas! Prendo-me nas leituras históricas, pois, quem sabe, eu os encontrarei. Tento encontrar pessoas boas que tentaram usar da bondade para ajudar o semelhante. Não quero encontrar ninguém com “super poderes”. Quero admirar pessoas iguais a nós. Pessoas de carne e osso, porém pessoas que quebraram o paradigma do individualismo. Elas, sim, são os meus heróis. Elas esmagarão meu niilismo e eu confesso que sonho com isso. Eu preciso acreditar! Eu necessito disso! Então, eu acabei por encontrar, nas minhas leituras, o Sir Nicholas Winton. Ele, que faleceu recentemente, salvou aproximadamente 700 crianças judias da morte. Ele criou um plano para salvá-las e, de forma humana, o executou. Ele “de carne e osso” fez valer o porquê do existir. Sua atitude permite-me, agora, repensar meu niilismo. Seu agir quebrou meu pessimismo sobre nós mesmos. Portanto, vou continuar a pesquisar sobre outros humanos iguais a ele. Certamente, eles existem. Quem sabe eu possa me assemelhar em alguma coisa com eles e tentar fazer a minha parte nesse mundo “cão”.

 

 

Régis Eric Maia Barros