Existiria humanidade sem o amor?


Erich Frommbauman

Começarei essa reflexão filosófica respondendo, abertamente, o que eu penso – um não em letras garrafais, pois, sem o amor, o humano inexiste. Eu já tinha essa concepção estabelecida. Depois de ler alguns textos do filósofo Erich Fromm, a minha certeza passou a ser absoluta. O humanismo, a humanidade e o homem dependem da existência do amor.

Cito outro filósofo para reforçar essa tese. Segundo Zygmunt Bauman, até que tentamos nos esquivar do amor em busca do prazer, ou seja, de forma hedonista, buscamos conduzir algumas relações usando o consumo e o material como base para os comportamentos. Contudo, sem amor, não há sentido. As relações se tornam líquidas ou, como ele mesmo postula, serão “relações de bolso”, que, ao usar a égide do descartável, não agregarão para a existência humana. A ausência do amor e a falta de investimento nele levam a um questionamento existencial importante: qual o meu e o seu porquê de continuar?

Sem a presença dele, tudo se perde e torna-se sem lógica. E o pior é que os humanos, em meio à soberba, arrogância e cegueira, não percebem algo tão óbvio. Consequentemente, quando pensamos no amor, é possível imaginar que os seres humanos, gradativamente, vêm colocando-o nas seguintes categorizações dentro das relações:

1º) relações sem amor, desde o seu início, e pautadas na materialidade do prazer com uma percepção descartável do ser;

2º) relações onde os pares afetivos permitem que a chama amorosa esfrie pela falta de protagonismo. Isso determina uma rotina morta e vencida pelo conformismo e pela passividade.

Em ambos os casos, o amor perdeu e deixa de fundamentar o existir. Sem justificativa de existência, nosso funcionar ético é contaminado e o nosso propósito de vida fica perdido.

Assim, nessa sociedade doente, nós estamos caminhando. Por isso, eu me deleito com o amor sincero e verdadeiro. Causa-me estranheza notar que a humanidade pensa cada vez mais no consumo deixando de lado o amor e suas possibilidades. O amor anima a existência e fornece os significados e as significâncias necessárias para continuar. A inexistência dele significará, em essência, uma falta de propósito para a vida. Com ele, há certeza de que valerá à pena viver, mesmo que nós estejamos inospitamente em terrenos lamacentos e cáusticos. Talvez, por pensar assim, admirei imensamente Erich Fromm e seus postulados. Segundo ele, “o amor é a única resposta sadia e satisfatória para o problema da existência humana”.

Aonde chegaremos com esse modelo de “relacionamentos de bolso”? Qual será o nosso futuro com essa proposta de se relacionar? É possível que o interagir líquido analisado por Bauman alcance níveis insuportáveis. Não desejo estar vivo para testemunhar essa geração. Que as belas palavras musicadas por Renato Russo, que se inspirou na 1º Epístola de São Paulo aos Coríntios, possam, ainda, reverberar e ser um fato, pois “é só o amor que conhece o que é verdade”.

Régis Eric Maia Barros