Eu estou vivo…

jiu-jitsu

 

Quando os amigos mais próximos me perguntam o porquê do Jiu-Jitsu, sobretudo nesse momento da minha viva, eu respondo que estou vivo. De fato, não esperava essa grata e prazerosa surpresa na minha vida. Algo que fosse capaz de mesclar atividade física, bem estar, amizades, disciplina e foco. O Jiu-Jitsu, realmente, tem me ofertado tudo isso e, por esse motivo, o indico a todos que tenham motivação e possibilidade de praticá-lo.

 

Dentro desse contexto, eu novamente me peguei a pensar sobre o ato de viver. Então, pergunto-vos: o que seria estar vivo? Muitos vivos já estão mortos e alguns próximos da morte pulsam de vida. A causa desse contraste esquizofrênico é uma só – vida não tem simplesmente uma relação com o orgânico e o fisiológico, vida tem íntimo contato com os atos de desejar, querer e sonhar. Por isso, a vida precisa de movimento. Por esse motivo, sempre me pego a inventar possibilidades para o meu cotidiano. E o Jiu-Jitsu se encaixou nisso perfeitamente!

 

Só quem treina e mais, especificamente, quem compete, entende o que estou falando. O ato de treinar, de se preparar para uma competição, de dá a cara à tapa, de se testar e de entrar num tatame para competir são provas materiais e concretas de vida. E digo que se sentir vivo é mais importante do que viver uma vida vazia e fútil. Antes viver poucos anos de uma “vida” real do que uma eternidade de “vida” nessas condições de anomia. Faça-me o favor de se jogar para a vida! Faça valer! O tempo pode ser uma dimensão ingrata, pois, quando notamos, ele acabou. Daí, tudo minguou. Os sonhos findaram, o desejo evaporou e o querer deixou de existir. Por ser psiquiatra, vejo esse filme todas as semanas. É muito triste ser testemunha ocular disso. Usando uma idéia de Espinoza, causa-me muita tristeza perceber que não há uma potência de agir em muitos que vivem uma vida fisiológica.

 

Portanto, conclamo-os a viverem, a sonharem e a pulsarem. Quando estou no tatame, perdendo ou ganhando, eu comunico isso para mim mesmo e, conseqüentemente, afirmo em alto e bom som que eu sou uma pessoa viva.

 

Régis Eric Maia Barros