“Eu estou nas trevas”

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O título desse pequeno artigo foi a queixa principal de um paciente deprimido que atendi recentemente. Nada mais simbólico e descritivo de dor poderia existir. Com quatro palavras, ele foi capaz de se comunicar com mais eficiência do que muitos longos discursos. O mais interessante é que para ele a luz existe e sempre existiu. Mas, em algumas situações como aquela, ele estava incapaz de enxergá-la. Em outras palavras, a escuridão é secundária e conseqüente à ausência de luz. E se você permanece por muito tempo nas trevas, fica difícil de acreditar que a luz exista. Esse paciente pediu-me, veementemente, na consulta que eu pudesse lhe ofertar luz e claridade. Então, fica claro que, para ele, o meu tratamento deveria se basear no ato de confrontar aquela escuridão massacrante promovida pela depressão. Para tal, precisarei ir além da farmacopéia. Ela, sozinha, não iluminará muito sendo somente um feixe de luz. Será necessário entrar na escuridão dele, junto com ele, para poder guiá-lo na direção da luz. Ela existe! Sabemos que existe, mas será importante que ele relembre que ela existe. Nesse caso, o meu papel terapêutico demandará isso – ajudar a estabelecer um sentido àquela existência, ou seja, promover claridade ao crepúsculo que o assola. Ele só melhorará a partir disso. Ele deu uma deixa – “eu quero luz, ilumine-me para que a escuridão não tome conta do que resta de bom em mim”. Trarei como missão usar de todos os recursos médicos e não médicos que disponho a fim de usá-los como jatos de luz naquela escuridão. Por fim, citando João 1:5, eu findei a consulta – “a luz brilha nas trevas, e as trevas não a derrotaram”.

 

Régis Eric Maia Barros