Esculápios do dia a dia

emergencia

Eis que hoje, dia 18 de outubro, tive a honra e o privilégio de receber muitas felicitações pelo dia do médico. Familiares, amigos e pacientes foram os responsáveis por tão singelo ato. Nunca tive dúvidas sobre a minha escolha e sobre o caminho que segui dentro da medicina e aproveito, portanto, esse momento para homenagear meus colegas médicos. Eles merecem todo o carinho, respeito, consideração e valorização das pessoas que compõem a nossa sociedade.

Em tempos tenebrosos com saúde sucateada e desprotegida, eles merecem tudo isso em dobro. Além das peculiaridades da própria atividade médica, precisamos lidar com inúmeros problemas que transcendem ao atuar médico. Não somos alheios à realidade, portanto percebemos, sim, que muitos problemas na formação médica existem e que a relação médico-paciente vai se fragmentando nesse contexto. Sabemos, ainda, que a classe médica é heterogênea em muitos aspectos os quais perpassam pela formação de vida e valores éticos de cada um. Contudo, há de se destacar um ponto: todos nós, médicos brasileiros, somos vítimas do caos instalado na saúde do país.

Uma saúde que agoniza. Nós, mais do que ninguém, somos testemunhas de cenas de horrores e barbárie. Pessoas morrendo quando poderiam não morrer. Infelizmente, muitos se vão nessas emergências superlotadas semelhantes às praças de guerra ou estações de refugiados. O olhar de derrota daqueles que buscam o alívio das suas dores e que não conseguem é marcante. Com esse olhar convivemos todos os dias. Para não sucumbir frente ao mal, acabamos por nos acostumar, todavia sempre há um preço a se pagar, visto que, esse olhar não sai da nossa cabeça. Consequentemente, nós adoecemos e passamos a nos cansar de nadar contra a correnteza. Esse cansaço não significa que desistimos da nossa tarefa. Não é isso! O cansaço significa que somos humanos. Isso mesmo: o médico é mais humano do que você possa crer. O médico é um humano e uma vítima de tudo isso, pois a população desesperada, por vezes, nos culpa pelo caos na saúde e os governos, cretinamente, transferem a culpa deles para nós. A projeção feita pela população é compreensível e eu respeito por entender que, em situações de imensas dores, não é uma tarefa fácil pensar com racionalidade. No entanto, não aceito essas posturas governamentais, pois, para mim, elas são oportunistas e maldosas.

Em face disso, o dia 18 de outubro é dia sim de comemoração e termino esse artigo agradecendo a todo colega médico pelo fato de ser médico numa sociedade que, cada vez mais, tem um olhar enviesado sobre nós, médicos. Temos que encarar e lutar muito além daquilo que nos propusemos ao graduarmos (doenças, dores e morte). Temos que lutar para existir. Um salve afetuoso, amoroso e sincero a todos os médicos.

Régis Eric Maia Barros