Em quem e no que acreditar?

obscurantismo

 

A informação chega, em ondas, aos nossos ouvidos e aos nossos olhos. Na verdade, todos os sentidos são invadidos por ela. Somos metralhados em todos os momentos. O agente da comunicação e seus canais ditam as regras. Poderemos ser vistos e mostrados como virtuosos ou cretinos. Para tal entendimento, bastará compreender como a informação é plantada e divulgada. Da mesma forma, outro alguém poderá ser percebido, por todos nós, como cretino ou nobre a depender de como a informação é trazida aos nossos sentidos. Para evitar tal equivoco, restar-nos-á refletir e filosofar. Será importante o uso da razão e a valorização do pensar e das idéias, pois, se nos apaixonarmos e negarmos o racional, nós ficaremos cegos frente às informações. Conseqüentemente, nós deixaremos de ser cognoscentes para nos tornarmos, simplesmente, seres apaixonados. Embora a paixão seja bela e vivaz, ela poderá criar uma cegueira empírica produzida pelo nosso mundo sensível. Por isso, Russel refletiu da seguinte forma: “na vida cotidiana admitimos como certas muitas coisas que, depois de um exame mais minucioso, nos parecem tão cheias de contradições que só um grande esforço de pensamento nos permite saber em que realmente acreditar”. É isso mesmo, ou seja, o mundo sensível, que é a via da informação, será capaz de trazer “verdadeiras e falsas verdades”. Essa diferenciação só será alcançada com a nossa capacidade imparcial de pensar. Todavia, há um complicador – como alcançar a imparcialidade se nós somos seres, em essência, “apaixonados”? Enfim, isso é um ponto importante, sobretudo nessa sociedade onde as verdades e as mentiras são impostas como rótulos determinando uma replicação delas numa escala em progressão geométrica. Qual seria a solução para evitar tais bias? Quem sabe um bom caminho fosse permitir que a filosofia e as ciências humanas atuassem em nós mesmos e pudessem abrir um pouco mais as nossas mentes, por vezes, preenchidas pelo obscuro e pelo obscurantismo.

 

Régis Eric Maia Barros