E quando a dignidade evapora?

falta de ética

O contexto atual do Brasil parece um filme futurístico. Algo que nos remete ao caos. Uma sensação de desproteção e de total falta de esperança. Um cenário de terror cujos atores – políticos e homens públicos – desnudam a nossa pobreza ética. Pobreza essa que nos assola em vários momentos do cotidiano. Portanto, uma carência que transcende os próprios governantes, visto que, uma robusta parcela dos governados, também, escamoteia os princípios éticos da virtuosidade.

Nesse roteiro, todos os poderes da república evidenciam o nosso triste momento. Para complicar, esses poderes, ditos independentes, passaram a andar de mãos dadas. Eles passaram a conversar no sentido de alcançar objetivos em comum. Eles se afanam e se afagam. Confesso que dá vontade de chorar! Começo a entender o porquê de alguns amigos desejarem viver fora daqui. Não existem limites nem vergonha para esses atores descritos acima. A falta de respeito atingiu um nível tão perverso que os acordos e ajustes interesseiros já não são realizados na calada da noite, mas sim aos olhos nus de todos nós.

Essas artimanhas de caráter dissocial são escancaradas pelas câmeras da imprensa a qual faz parte dessa promiscuidade instalada. Então, caminhamos a passos largos para “estancar sangrias”. Passa a ser “normal” a reunião de um grupo de senadores com um Ministro de Estado, indicado ao STF, num barco de luxo na beira do Lago Paranoá. Nessa oportuna reunião, foram discutidos pontos da sabatina que esses senadores e a comissão específica do Senado fariam com o indicado. Mantendo essa lógica dantesca, já não é estranho um dos Senadores da República, bem atuante na época do impeachment, opinar sobre a restrição do foro privilegiado para políticos da seguinte forma: “se acabar o foro, é todo mundo. Suruba é suruba. Aí é todo mundo na suruba. Não é uma suruba selecionada”.

A verdade é que a nossa dignidade se esvaiu. E quando isso acontece, criamos um terreno fértil e perigoso para o terror social. O que aconteceu no Espírito Santo é, somente, um lampejo para o risco de algo maior. Se o Estado e os seus poderes estão podres, uma série de riscos acontecerá conforme descrito pelos filósofos que estudaram o Contrato Social. Já tivemos exemplos na história do mundo com características semelhantes ao nosso momento atual. O futuro é incerto…

Régis Eric Maia Barros