E os dias de hoje?

O discurso do ódio

 

Recentemente, comecei a ler um belo livro do filósofo francês André Glucksmann – “O Discurso do Ódio”. Nessa obra, há uma reflexão metafísica que salta aos olhos e que eu concordo, plenamente, com o autor – a questão do ódio. Para ele, esse século se inicia com uma demanda de filosofia primeira sobre o viver e o sobreviver. Enfim, como viver nessa sociedade onde o ódio transborda. Em outras palavras, conforme ele ressaltou, viver será o ato de sobreviver ao ódio. Esse ódio é presente e latente até naqueles ditos como “homens bons”. Ele vai tomando conta de cada ser a partir do momento que as condições são propícias para tal. Numa roupagem fake sobre um agir “correto”, o ódio vai dominando, excluindo, rotulando, julgando, matando e explodindo. Tudo isso sob a égide de um julgamento teoricamente adequado. Claro que um julgamento contaminado pelos olhos dos julgadores repletos de ódio. Isso acontece no dia a dia e não somente nas grandes matanças, pois o simples pensar e opinar diferente já são arriscados. Os impactos disso brotam nas mais diversas formas comunicativas. As extensões do odiar aparecem desde comentários maldosos em mídias sociais até explosões de homens bomba. Muito triste, mas essa é a nossa realidade. Onde isso vai parar? Confesso que não sei. Talvez, nosso ódio será responsável pela nossa exterminação e, num cenário apocalíptico, quem sabe, teremos capacidade de analisar tudo isso. Então, eis a grande demanda do século XXI para o ser humano – como sobreviver ao nosso ódio?

 

Régis Eric Maia Barros