Bob Marley – o filósofo

Marley

O que faz um filósofo? Qual seria a sua função social? Para mim, o filósofo permite que conceitos e concepções sejam descobertos. Ele facilita o entendimento do mundo em todas as suas dimensões. Ele decodifica aquilo que não conseguimos enxergar. Então, há um equívoco conceitual quando se fala que o filósofo “complica as coisas”. Pelo contrário, é papel dele descomplicar e, certamente, ele descomplica, visto que, ele materializa a verdade, o conhecimento e o saber que, na maioria das vezes, estão escondidos ou nas entrelinhas.

Haverá grandes exigências para ser um filósofo destacado? Em outras palavras, deverá ele ter graduações destacadas nos maiores berços do saber filosófico do mundo – Grécia, França, EUA, etc? Claro que não! Ele poderá, inclusive, nunca ter finalizado uma disciplina sequer de um curso superior. Ele, sim, precisará deixar seu legado no pensar social e coletivo. Ele deverá construir um modo de ver e analisar o mundo gerando conceituações favoráveis as suas teses as quais se propagarão de forma natural e espontânea. As outras teses e os pensadores contrários às considerações deste filósofo/filosofar serão engolidos, caso não construam uma conceituação de mundo tão importante quanto.

Portanto, para mim, Bob Marley foi um dos maiores filósofos contemporâneos que nós já tivemos e fico feliz por ele ter sido da minha geração histórica. A sua filosofia do amor reverbera em todos e em tudo, mesmo que você nunca tenha escutado uma música dele e que tenha ojeriza ao reggae music. A paz, a bondade, os direitos sociais e a motivação para viver não existiriam em suas concepções sem ele. Portanto, todos os movimentos mundiais a favor da cidadania e do amor entre as pessoas deveriam ter, no começo da manifestação, uma faixa agradecendo à Bob Marley e seus postulados.

Senão, vejamos. O que deveríamos pensar, filosoficamente, sobre a nossa vida e sobre o mundo quanto introjetamos e atuamos todas estas construções citadas a seguir? Enfim, você se enxerga vivendo sem levantar, resistir e lutar pelos seus direitos (“get up, stand up: stand up for your rights”)? Ou ainda permitindo que os outros o façam de bobo ou que mudem você de modo a perder a sua essência de vida (“don’t let them fool you – don’t let them change you – stay alive”)? Por fim, será que você só conseguirá sobreviver neste “mundo cão” se as amarras mentais e a escravidão do seu saber forem soltas, desamarradas e quebradas (“emancipate yourselves from mental slavery”)?

É isto, prezado leitor. Com esta minha curta reflexão, resta a mim e a você agradecer ao filósofo Bob Marley por ter guiado com suas letras, músicas, posturas e reflexões muitos direcionamentos do nosso agir. Direcionamentos tais que nos guiam como bússolas dando sentido para a nossa cosmologia individual. Desse modo, fiz questão de escrever este curto artigo para valorizar o papel filosófico de Marley na minha geração. Muito mais do que música, reggae e dança, ele filosofou e nos ensinou.

Régis Eric Maia Barros