As cotas

cotas sociais

Nessa sociedade repartida, maniqueísta e agressiva, essa temática sempre será atual. Aqueles que as atacam usam, freqüentemente, a palavra “meritocracia” como argumento poderoso no seu contraditório. No entanto, se as condições entre os membros da sociedade nunca foram iguais, não haverá como equilibrar o mérito em quaisquer demandas e disputas sociais. Na verdade, não é uma questão de mérito, mas sim de lógica. Claro, as exceções acontecem, porém a razão mostra que quem teve uma estrutura social, educacional e financeira protegida possui uma condição muito maior de êxito do que os que não tiveram. Daí, o jargão de contraponto será: “que se melhorem as condições sociais e educacionais para todos a fim de equalizar as condições”. Concordo! Mas o que faremos com as gerações que não receberão tais mudanças? Diga-se de passagem, essa referida mudança, talvez, aconteceria a médio ou longo prazo. Então, olharemos para essas gerações, vitimadas por essa diferença histórica, e falaremos: “foi mal! Lamento muito! Vocês nasceram na época errada!”. Para corrigir, a necessidade de incluir é indubitável. Pensar de forma diferente pode ser inclusive perverso. O passado fala. O navio negreiro fala. A periferia fala. A cor da pele fala. As diferenças sociais e financeiras falam alto. O analfabetismo também. O desemprego muito mais. A marginalidade e a exclusão social mais ainda. Nunca será possível resolver o presente e entender o que acontece hoje, negando o passado ou negligenciando-o ou esquecendo-o ou fazendo de conta que não temos nada a ver com isso. Por tudo isso, eu sou um defensor da política de cotas, pois, se nada for feito, “o futuro sempre repetirá o passado”.

Régis Eric Maia Barros